O câncer de testículo, embora represente cerca de 5% dos tumores urológicos, acomete principalmente homens jovens em idade reprodutiva. De acordo com dados do Ministério da Saúde, nos últimos dez anos foram realizadas mais de 17 mil cirurgias para remoção do testículo e registrados mais de 4,1 mil óbitos relacionados à doença – em centros de referência, a mortalidade esperada por essa doença é de menos de 5%.
Para reforçar a importância do diagnóstico precoce — que pode elevar as chances de cura para mais de 95% — a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) promove, ao longo do mês, a campanha Abril Lilás.
"O câncer de testículo não deve ser um tabu. O autoconhecimento é a nossa ferramenta mais poderosa contra esse tumor. Orientamos que o homem aproveite o momento do banho para apalpar os testículos e, ao notar qualquer alteração, procure um urologista para avaliação. Quando detectado em estágios iniciais, o índice de cura desse câncer é altíssimo, superando os 95%”, diz o urologista Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU.
Um levantamento do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) mostrou que cerca de 60% dos pacientes com câncer de testículo no Brasil já iniciam o tratamento em estágio avançado, o que implica maior necessidade de quimioterapia e terapias mais agressivas.
Fatores de risco e sintomas
Um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença é a criptorquidia (quando o testículo não desce para a bolsa escrotal durante a infância). Outros fatores incluem: histórico familiar ou pessoal da doença e exposição a determinados produtos químicos.
E o sinal mais comum é o aparecimento de um nódulo (caroço) duro, geralmente indolor, no testículo. Outros sintomas que podem surgir:
- Aumento do volume ou alteração na consistência do testículo
- Sensação de "peso" na bolsa escrotal
- Dor na região do baixo ventre
- Crescimento ou sensibilidade mamária (em casos raros, devido à secreção hormonal do tumor).
O autoexame é uma ferramenta importante para a detecção precoce do câncer de testículo. Ele pode ser feito em pé, durante o banho morno ou em frente ao espelho, com a palpação cuidadosa dos testículos. É importante comparar um lado com o outro e observar possíveis alterações, como a presença de nódulos, diferenças de tamanho, além de sintomas como dor no abdômen, na virilha ou no escroto.
Números do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde registraram 17.012 orquiectomias (cirurgia para retirada de um ou ambos os testículos) de 2016 a 2025.
"Ao analisarmos os mais de 17 mil procedimentos realizados no período, é fundamental esclarecer que a orquiectomia, na maioria das vezes, faz parte do tratamento curativo do câncer de testículo — não representa falha, mas sim uma etapa essencial da abordagem oncológica. Ainda assim, quando esse volume se associa a uma mortalidade elevada, o sinal de alerta é claro: seguimos diagnosticando tarde. Precisamos ampliar a informação e alcançar principalmente os homens jovens, incentivando o autoexame e a busca precoce por avaliação médica diante de qualquer alteração. Além disso, é imprescindível facilitar o acesso ao diagnóstico oportuno e ao tratamento em centros especializados, onde as taxas de cura ultrapassam 95%. Não podemos aceitar a perda da melhor janela terapêutica — e, pior ainda, da chance de cura — em uma doença que atinge justamente uma população tão jovem", ressalta a médica Karin Anzolch.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do câncer de testículo é realizado por meio do exame físico, ultrassonografia da bolsa escrotal e exames de sangue (marcadores tumorais como AFP, hCG e LDH).
O tratamento padrão inicial é a orquiectomia (remoção cirúrgica do testículo afetado). Dependendo do tipo celular do tumor e do estadiamento (se a doença se espalhou ou não), podem ser indicadas terapias complementares como:
- Quimioterapia
- Radioterapia
- Linfadenectomia (remoção de gânglios linfáticos abdominais)
rkes.