O governador não foi, Rose reinou sozinha. A senadora que praticamente monopolizou a cerimônia de inauguração do Aeroporto de Vitória demonstrou tanto poder que ela admitiu que definiu até o trajeto do presidente Temer dentro do terminal. É que a senadora não havia gostado do caminho definido pela Infraero.
O dia era dela; a madrugada também. Em conversa com a coluna, a senadora disse que não dormiu na véspera da inauguração. “Quase às 2 horas da manhã eu estava cuidando do atendimento de convidados”, contou Rose de Freitas.
No acesso ao terminal de passageiros, algumas placas de sinalização enigmáticas deixaram os visitantes intrigados: “Acesso à CUT”. Ninguém entendeu o que significa.
Os alambrados no acesso de convidados e imprensa e no andar superior, onde foi realizada a cerimônia, estavam enferrujados. Se o ministro da Saúde tivesse vindo, mandaria interditar.
A ausência do governador pegou de surpresa até pessoas próximas a ele. PH acordou “indo” para a cerimônia, mas logo no início da manhã, quando o noticiário da prisão dos amigos de Temer começou a esquentar, tudo mudou.
A coluna apurou que, pouco antes das 8h da manhã, um assessor do governador já confidenciava que Hartung não iria para o aeroporto.
Curioso é que, ainda de manhã, secretários e colaboradores receberam mensagens do governador exortando-os a irem cedo para a inauguração.
Uma banca cheia de bombons foi instalada no saguão do aeroporto. O primeiro a atacar as guloseimas foi o ex-vereador Zezito Maio.
Foi uma festa com grande cunho político. O povo não teve acesso, mas sobraram prefeitos e vereadores. O governo do Estado convidou quatro membros do Executivo e dois do Legislativo de cada município.
Um dos convidados foi o vereador Evaristo Maciel, de Nova Venécia. Quando o prefeito Barrigueira ligou pedindo a identidade e o nome da mãe dele para fazer o credenciamento, o parlamentar reagiu: “Gente, eu nunca precisei dessa burocracia para visitar o Aeroporto”.
Explicação necessária: o nobre edil confundiu tudo e pensou que fosse um convite para visitar o bairro Aeroporto, em Nova Venécia.
Quando chegou para a cerimônia, Temer, cujos amigos do peito foram presos ontem, foi saudado com a música “My Way” (Frank Sinatra). Que começa assim: “E agora o fim está próximo..”.
O diplomata e secretário de Estado José Carlos da Fonseca Júnior precisou de muita lábia pra convencer o chefe da segurança a deixar ele e o presidente da Assembleia, Erick Musso, a entrar na cerimônia de inauguração. Foram os últimos a conseguir acesso.
Outros três secretários de Estado foram barrados pela segurança ao tentarem entrar no novo aeroporto. Bruno Funchal (Fazenda), João Gualberto (Cultura) e Júlio Pompeu (Direitos Humanos) foram embora sem ver a cerimônia.
De um filósofo de botequim de Cariacica: “Primeiro Vitória coloca uma curva no meio da Reta da Penha e agora tira o aeroporto da Reta do Aeroporto”.
Em sua saudação, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, chamou o vice-governador de César “Colnaugo”.
Um dos mimos que Temer ganhou de Rose de Freitas foi um terço oferecido pela mãe da senadora.
O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) cochilou mais uma vez numa cerimônia pública.
O discurso do deputado federal Lelo Coimbra levou exatos 13 minutos.
Ricardo Ferraço, desta vez, elogiou muito Temer e seu governo. O senador veio de Brasília no avião presidencial.
A entrada do aeroporto pela Av. Adalberto Simão Nader ainda está precisando melhorar para decolar: faltam acabamentos na lateral da pista, os postes do canteiro central estão sem luz e a ciclovia não foi pintada. Tiveram 16 anos para fazer isso: será que foi insuficiente?
Quem impediu sua decolagem?