Está mais do que claro que o Rio Doce há muito implora por uma trégua. Ora sofre com longos períodos de estiagem, com bancos de areia compondo imagens desoladoras ao longo do seu leito (o ano de 2014 foi um dos mais difíceis nesse aspecto). Ora transborda, com vazão que o leva para dentro das cidades que o margeiam. Colatina e Linhares têm sofrido com essa situação nos últimos dias. E, não se pode nunca esquecer, ainda foi vítima da maior tragédia ambiental do país, com o rompimento da barragem de rejeitos em Mariana, em 2015.
Em seu curso atual, o rio vem, desde Minas Gerais, batendo os níveis de inundação nos últimos dias. Quando adentra o Estado a situação não é diferente: em Colatina a cota de inundação chegou a 6,2 metros na quinta-feira, enquanto em Linhares não para de subir, atingindo 4,55 metros ontem. O resultado é o caos urbano de sempre, com ruas inundadas e famílias tendo que abandonar suas casas.
Ao relacionar todos esses reveses recentes da importante bacia regional, há sempre um alerta: já passou da hora de mudar a forma como a sociedade se relaciona com o rio. O poder público não pode se omitir, as secas e as enchentes são resultado do manejo equivocado dos recursos hídricos e da devastação da mata ciliar com o avanço das cidades. É claro que a força da natureza é incontrolável, mas com prevenção e infraestrutura é perfeitamente possível que os danos sejam reduzidos.