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Carlos Boechat

Sexólogo responde: briga de casal se resolve na cama?

Para alguns, quando estamos mal com nossa parceira ou parceiro, ficamos com raiva, e isso diminui nosso desejo para o prazer e para o sexo. Por outro lado, há pessoas que brigam para reconciliar, e é nesse momento que o sexo é mais selvagem

Publicado em 09 de Agosto de 2019 às 12:13

Carlos Boechat

Publicado em 

09 ago 2019 às 12:13
. Crédito: Reprodução/ Instagram @90s.daily
Hoje vou responder duas perguntas que são bem recorrentes no meu consultório, porque também estão presentes em frases que costumam ser repetidas por aí.
Quando na vertical as coisas não estão bem, elas podem se resolver na horizontal?
Acredito que não podemos generalizar nada nas relações humanas. Tudo existe. Para alguns, quando estamos mal com nossa parceira ou parceiro, ficamos tristes ou com raiva, ou qualquer outro sentimento negativo, e isso diminui nosso desejo para o prazer e para o sexo. Afinal, não combina fazer amor com quem nos mágoa ou nos entristece. Por outro lado, há pessoas que brigam para reconciliar, fazer as pazes, e é nesse momento que o sexo é mais selvagem, mais intenso, mais estimulante, pois acende nosso desejo de conquista para manter nosso amado, que, na briga, corria o risco de se perder. Essa prática funciona para muitos, mas percebo que vai minando e destruindo a relação sexual e emocional.
Para outras pessoas, o sexo é muito separado do amor e, mesmo triste, faz-se para relaxar, dizer ‘sem palavras’ que há amor, que há desejo. Quantas vezes ouvimos dizer que tal pessoa está mal humorada por não ter sexo de qualidade (em outras palavras que não ouso aqui reproduzir), pensando que por não ter sexo a pessoa é triste e agressiva. Às vezes é mesmo. Quem não tem felicidade costuma criticar a felicidade alheia. Acredita-se que se ele ou ela aceitou o sexo então não precisamos conversar, evitar as chamadas DRs, tá tudo resolvido. Sabemos que não é assim. Ou é?!
Briga de marido e mulher não se mete a colher?
Sim, não se dá opinião por não ouvir os dois lados da história. E mesmo quando temos essa possibilidade e, se o ouvimos em separados, os fatos não correspondem ao dito. Muitas vezes acontece de darmos nossas opiniões, com os poucos dados que temos, e o casal adequar as suas diferenças, o que pode comprometer a amizade.
Na terapia de casal, percebe-se que há muitas formas de uma união acontecer e se manter. Neuroses antigas, padrões de funcionamento familiar, abusos infantis, enfim.... um conjunto de fatores que unem pessoas pela dor travestida de amor. E, quando isso acontece, é comum que haja também problemas sexuais, como falta de desejo e dor nas relações, sintomas das dores da alma que ocorrem há mais tempo.
Sim, se mete a colher em briga de marido e mulher quando há risco de violência e agressões. Se ouvimos gritos e barulhos de coisas caindo na casa vizinha, e nos calamos – por acreditar na frase da “colher” – podemos saber horas depois que ocorreu um homicídio ao nosso lado. Acredito que, assim ocorrendo, podemos ligar para a polícia, o síndico do prédio, algum amigo pais próximo do casal... A omissão não seria uma solução nesses casos.
Mas também não será de se espantar se, após a briga, os gritos e os barulhos, ouçamos gemidos e gritos de orgasmos do mesmo casal fazendo as pazes na horizontal... Tudo há!

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