Uma folia inesperada e divertida
A jornalista e life coach Luciana Almeida, umas das criadoras do Baile Secreto, que este ano chega à sua terceira edição na Capital, também é uma apaixonada pela folia. E o carnaval mais inesquecível dela, veja só, aconteceu de forma inesperada. “Tive ótimos carnavais em clubes, blocos de rua, seguindo o trio elétrico na Bahia ou desfilando na Sapucaí, no Rio de Janeiro. Mas o carnaval de 1986, em Iriri, foi especial. Eu desisti de uma viagem em cima da hora e resolvi alugar uma casa com três amigas. Fui sem muita expectativa e foi o mais divertido e surpreendente carnaval. Até hoje, em conversa com uma amiga que estava comigo, é motivo de boas gargalhadas”, conta.
Fantasia pisca-pisca
O sonho de Deborah Sabará, presidenta do Conselho Estadual de Direitos Humanos, sempre foi ser porta-bandeira de uma escola capixaba. Ela estreou aos 28 anos, mas foi o desfile de 2013 o mais marcante em duas décadas de avenida. “Desfilei como segundo casal de porta-bandeira da Imperatriz do Forte, ao lado do mestre-sala Wenderson. O enredo da escola era sobre os 100 anos do Parque Moscoso, e eu representei a Escola de Ciências. O carnavalesco Osvaldo Garcia me deixou livre para criar a fantasia – uma espaçonave. Comprei cerca de 500 brinquedos que piscavam e montamos em uma estrutura de ferro. No Sambão várias pessoas ligaram as baterias da roupa, e a comunidade respondeu com gritos. Eles gritavam o meu nome, uma energia muito forte. No final do desfile, a coisa mais linda foram os olhares de encanto das crianças. Parei, arranquei alguns adereços e distribuí para elas. Foi meu carnaval mais feliz.”
Homenagem às crianças
Criada na quadra da Mocidade Unida da Glória (MUG), de Vila Velha, Ana Julia Bernardo desfila desde criança. Ela, que este ano estreia como musa da escola, puxando a ala das passistas, conta qual foi o seu ano marcante. “O meu carnaval inesquecível foi o ano que o enredo falava das crianças, em que tive a oportunidade de desfilar pela primeira vez puxando a minha escola de samba ao lado do presidente e da primeira-dama.”
Pra fazer bater um coração momesco
Figura marcante dos desfiles no Sambão do Povo, em Vitória, Jace Theodoro, jornalista e comentarista do Carnaval de Vitória pela TV Gazeta, lembra a folia nos tempos de infância. “Meus carnavais, da infância à fase adulta, sempre tiveram histórias inesquecíveis. Curiosamente, foram os carnavais fora da folia urbana que me trazem as lembranças mais afetuosas. Morava no Rio e, na época, subia com amigos pra São Pedro da Serra e Lumiar, interior de Nova Friburgo. Lá, entre banhos de cachoeira e noites de boemia, curti os mais delirantes carnavais. O trio elétrico era um carrinho de reboque tocando Daniela Mercury, em outro bar o samba dominava o ambiente e, num terceiro, música instrumental pra fechar a noite entre confetes e beijos calientes, indispensáveis na festa de Momo. Inesquecíveis porque recuperam a memória de um tempo quase ingênuo, amoroso e, ao lembrar, sinto o baticum da saudade no meu coração momesco.”