Enfrentar o câncer por cinco vezes ao longo de 15 anos e sair de cada experiência mais forte e disposta a ajudar pessoas que lutam contra a doença de forma positiva. Esse é o propósito da assistente social Elizabeth Fernandes, de 56 anos, moradora de Vila Velha. Ela conta que a batalha contra o câncer começou em 2005, quando morava no interior e trabalhava numa prefeitura. Na época, notou o surgimento de um pequeno caroço no seio esquerdo, fez uma mamografia, que não flagrou nenhum tumor. A lesão aumentou de tamanho e ela passou a sentir dor. Foi quando procurou um mastologista, que solicitou um ultrassom. O exame constatou um câncer de mama em estágio avançado.
A partir de então, Elizabeth teve o nódulo removido com biópsia cirúrgica. Dias depois, ela foi submetida a mastectomia radical da mama esquerda com reconstrução imediata e passou por sessões de quimioterapia. O tratamento deu resultado e a assistente social conseguiu se recuperar.
Em 2014, no entanto, a doença voltou, dessa vez no esterno, osso que se situa na frente do tórax e que protege o coração juntamente com as costelas. Para conseguir fazer a biópsia pelas costas, Elizabeth teve o pulmão esquerdo paralisado. O procedimento deu certo, embora o tumor não tenha sido removido de forma cirúrgica. Ela precisou ficar em UTI por alguns dias, seguiu em tratamento posteriormente e se recuperou.
Dois anos depois, Elizabeth teve nova recaída, desta vez no pulmão esquerdo, que necessitou de novo tratamento. Em 2018 foi necessária a realização de uma nova quimioterapia para reduzir as lesões, que voltaram a se manifestar na mama esquerda, esterno e pulmão esquerdo.
CÂNCER COM METÁSTASE
Em 2019, Elizabeth voltou a sentir dores e foi submetida a 20 sessões de tratamento no Instituto de Radioterapia Vitória (IRV), com o objetivo de reduzir o desconforto que ela sentia. “A radioterapia reduz o tumor e diminui o processo inflamatório que vem junto. Um dos primeiros efeitos que aparece nesta situação quando tem invasão do osso é diminuir a intensidade da dor”, explica o médico Nivaldo Kiister, especialista em radioterapia.
Por estar tratando um câncer com metástase há 15 anos, Elizabeth tem consciência de que recaídas podem ocorrer, e se mantém vigilante, porém com pensamento positivo. Desde 2020, ela tem feito quimioterapia e afirma que vai vencer a doença mais uma vez. Mesmo com pandemia, a assistente social não deixou de cumprir todas as etapas do tratamento, que já dura oito meses, nem contraiu a Covid-19.
"Mesmo tendo um câncer com metástase, consigo viver bem, com qualidade de vida e com alegria. A gente tem que vencer para viver"
“A medicina modernizou. Em 2005 não tinha as medicações que eu tomo agora. Mesmo tendo um câncer com metástase, consigo viver bem, com qualidade de vida e alegria. É isso que procuro transmitir no meu Instagram, que é possível. Porque muita gente acha que está morta! Que tem metástase e já morreu. A gente tem que vencer para viver. A vida é o nosso maior bem”, diz Elizabeth.
NOVO AMOR
O médico explica que o câncer metastático requer vigilância constante do paciente, pois a doença pode voltar. “Metástase ou doença metastática é o câncer que deixou seu local inicial e apareceu uma raiz numa outra parte do corpo. É preciso estar sempre atento, principalmente quando se trata de câncer de mama. Geralmente, consideramos o paciente curado após cinco anos, na maioria dos tumores. Mas nos casos de tumor de mama e melanoma, não podemos usar esse critério. Tenho uma paciente em que a doença apareceu 25 anos depois”, relata Nivaldo Kiister.
Ao longo de sua batalha contra o câncer que já dura 15 anos, a assistente social se divorciou e encontrou um novo amor em 2018, que a apoia 100% na luta contra a doença. Ela tem na filha Amanda, de 19 anos, a força necessária para enfrentar um dia de cada vez. É ela que a ajuda a tirar fotos, a gravar vídeos e a postar no perfil do Instagram (@elizabethfernandes01).
“Minha filha tinha 4 anos quando descobri o primeiro tumor. Aos 7 anos, ela já fazia curativo em mim. Ela é minha companheira e me ajuda muito neste trabalho que faço na internet e que está ajudando tantas pessoas. Recebo muitas mensagens de pessoas que se dizem inspiradas pela minha forma de ver a vida, que passam a ter mais esperança. E quando deixo de publicar vídeo novo, recebo cobranças”, conta Elizabeth.