O envelhecimento é um processo inevitável. Com o passar dos anos ocorre a diminuição na produção de colágeno, proteína considerada uma das mais importantes do corpo humano. Nascemos com uma quantidade pré-determinada dela, que se mantém até os 25, 30 anos. A partir daí, perdemos cerca de 1% de colágeno ao ano. Para as mulheres, após a menopausa, essa taxa aumenta para até 5%. Mas isso não é motivo para desespero. Porque há uma série de ações que podem ser feitas, ao longo da vida, para estimular a produção da proteína. Vale apostar em bioestimuladores injetáveis, na boa alimentação, em tratamento com tecnologia de ponta e na suplementação oral.
A dermatologista Isabella Redighieri explica que o colágeno é a proteína responsável pela firmeza da pele. "Sua diminuição resulta numa pele sem firmeza. A flacidez piora o processo de desabamento da face, com surgimento de sulcos, perda de contorno e acentuação de rugas e pregas. No corpo, a pele fica mais mole, sem tônus, enrugada, além de piorar a celulite".
Ela conta como é o processo de estimulação da proteína: "É realizada através de processos inflamatórios locais, criados de forma programada, com o uso de bioestimuladores injetáveis ou tecnologias. Quanto mais jovem o paciente, melhor será a resposta a esse estímulo", ressalta.
ALIMENTAÇÃO
A dermatologista Karina Mazzini conta que é necessário ter uma alimentação nutritiva e balanceada, rica em proteínas. O consumo de carne vermelha, por exemplo, tem alto teor de colágeno. "A perda ao longo do ano será mais de 1% de acordo com o estilo de vida. A pessoa que se alimenta mal, perde noite de sono, toma sol em excesso, vai perder muito mais colágeno", diz.
"A perda de colágeno interfere na saúde da pele provocando o envelhecimento, o aparecimento de linhas de expressão, rugas mais acentuadas, além de reduzir a hidratação"
Karina reforça sobre os efeitos da perda de colágeno. "Interfere na saúde da pele provocando o envelhecimento, o aparecimento de linhas de expressão, rugas mais acentuadas, manchas provocadas pelo excesso do sol, além de reduzir a hidratação. A pele começa a perder o viço e a elasticidade, resultando também na flacidez".
A nutricionista Fernanda Pignaton diz que a saúde da pele, de forma geral, depende da boa alimentação. E que alguns alimentos auxiliam na produção de colágeno. Na sua lista estão a carne bovina; a gelatina, já que 90% dela são derivados da proteína do colágeno; além de verduras, frutas e legumes vermelhos e o consumo de água. "A água hidrata e ajuda a melhorar a elasticidade da pele, o que facilita a eliminação de rugas e linhas finas. Ela também elimina toxinas que podem prejudicar a produção de colágeno", diz.
BIOESTIMULADORES
Para deixar a pele com mais firmeza, textura e brilho, os médicos apostam nos chamados bioestimuladores, ativos que estimulam a produção do colágeno e promovem um efeito rejuvenescedor, com resultado natural e progressivo. A dermatologista Sandra Federici explica que os bioestimuladores são produtos que promovem neocolagênese, que é a formação de um novo colágeno, através de um processo inflamatório controlado. "Os ativos são muito interessantes pois têm o efeito de sustentação dando um aspecto natural. Quando usamos os bioestimuladores, utilizamos menos ácido hialurônico".
A médica conta que a tendência é relacionar várias técnicas de estímulo de colágeno para alcançar os melhores resultados. "Associamos tecnologias, bioestimuladores e preenchedores, dessa maneira é possível ter resultados mais rápidos e naturais. É importante um acompanhamento e um planejamento, pois existe uma ordem a seguir para que as técnicas ajam de maneira sinérgica".
"Associamos tecnologias, bioestimuladores e preenchedores, dessa maneira é possível ter resultados mais rápidos e naturais"
O ácido polilático, a hidroxiapatita de cálcio e o ácido hialurônico são alguns exemplos de bioestimuladores. A dermatologista Karina Mazzini conta que eles são uma alternativa para potencializar a melhora na firmeza e na elasticidade da pele, associados a boa alimentação e ao uso de tecnologias. "São várias máquinas que podemos utilizar, como o ultrassom microfocado de alta intensidade, o laser fracionado de CO2, o laser de erbium e o 1064, o ultrassom macrofocado, o drug delivery e a radiofrequência microagulhada fracionada", enumera.
BANCO DE COLÁGENO
Você já ouviu a expressão 'banco de colágeno'? Ela é utilizada pelos dermatologistas para estimular o paciente a acumular quantidades da proteína de forma regular no período anual. "É assim que conseguimos frear os sinais do envelhecimento da pele", diz a dermatologista Isabella Redighieri. Ela conta que o uso dos bioestimuladores são uma das opções mais seguras e estudadas na medicina para esse fim. "Os resultados são duradouros e naturais, o colágeno produzido pode durar de 18 a 24 meses".
"Os resultados dos bioestimuladores são duradouros e naturais, o colágeno produzido pode durar de 18 a 24 meses"
Além das partículas injetadas na pele, as tecnologias também ajudam no processo. "Os aparelhos que geram calor, acima de 42 graus, são capazes de produzir colágeno. Desde a radiofrequência, os diversos lasers e o ultrassom microfocado. Há uma gama de tecnologias disponíveis que se complementam. O que difere entre elas é em qual camada da pele atuam e o grau de inflamação que geram. Essas diferenças serão determinantes no resultado. Os ultrassons macro e microfocado e os lasers mais profundos são os queridinhos do momento", diz Isabella.
Para as mulheres, a 'poupança' de colágeno é essencial, por conta da menopausa. "Para elas, esses tratamentos são muito importantes por volta dos 35 a 45 anos, para que não entrem na menopausa com pouco colágeno. Chamamos isso de 'Prejuvenation'", diz Sandra Federici. Entre as tecnologias que ela gosta de trabalhar estão o laser erbium 2940, o laser de CO2 fracionado e o de 1064. "Além da infusão de ativos que estimulam o colágeno, microagulhamento e radiofrequência".
SUPLEMENTAÇÃO ORAL
O uso de suplementos à base de colágeno também pode ser aliado. O farmacêutico Márcio Mendes, da Pharmapele Vila Velha, explica que não é qualquer tipo de colágeno que traz benefícios concretos para a pele. “O colágeno hidrolisado em pó é a forma mais fácil de ser absorvido pelo organismo e seu uso contínuo já trouxe resultados comprovados".
A dermatologista Sandra Federici diz que a suplementação oral funciona. "Os colágenos orais e seus precursores têm sua eficácia comprovada através de muitos estudos, porém a suplementação deve ser feita com profissional médico, e o paciente precisa entender os limites. Ela age muito mais na prevenção e sempre como coadjuvante dos tratamentos de estímulo". Os benefícios acontecem a longo prazo, com uma melhora da textura da pele e da flacidez. Mas ela faz uma ressalva: "Não adianta chegar aos 50 anos muito flácida e começar a ingerir colágeno e simplesmente achar que a flacidez vai acabar. Não existem milagres".
Isabella explica que associações com colágeno hidrolisado, ácido hialurônico, silício orgânico, ômegas e outras vitaminas e minerais podem melhorar como um todo a qualidade da pele, cabelos e unhas. "A suplementação sozinha não faz sentido, mas quando ligada aos estímulos locais, pode aumentar um pouco mais a resposta". Os resultados variam individualmente e são dependentes da dose e da frequência de uso, mas podem ser perceptíveis, principalmente na qualidade da hidratação da pele.