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Crônica

Resolvi desvendar o mistério da morte das castanheiras na Praia do Canto

As mortes se deram no ano passado e, dias depois, o assunto também morreu. Mas, com o tempo que me anda sobrando, resolvi ir atrás dos culpados

Publicado em 29 de Fevereiro de 2020 às 10:00

Públicado em 

29 fev 2020 às 10:00
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

Um drama cerca a morte de castanheiras na Praia do Canto Crédito: Amarildo
O drama que cerca a morte das três castanheiras que beiravam, no passado, o mar da avenida Saturnino de Brito, na Praia do Canto, ainda dói. E dói mais em quem conviveu com elas durante meio século, como eu. Sob suas sombras vespertinas, nos dias de muito calor e no abraço noturno de sua copa, no esconde-esconde da lua cheia, abrigando o romance de jovens enamorados.
Falou-se em triplo envenenamento. Em morte para abrir espaço para se enxergar mais além. Um triste “sai da frente”. A vida das três irmãs foi se esvaindo pouco a pouco e, quando nos demos conta, já não viviam mais. Ninguém assistiu aos seus últimos suspiros. Apenas choramos o triste fim.
As mortes se deram no ano passado e, dias depois, o assunto também morreu. Mas, com o tempo que me anda sobrando, resolvi ir atrás dos culpados. Tenho algum conhecimento sobre técnicas de investigação. Sou fã de William Murdoch, um detetive canadense, um dos mais geniais investigadores que conheço.
Vez por outra,acompanho na TV seus casos, sempre resolvidos com muito brilhantismo. É Murdoch quem me leva a ir em busca da verdade. Se foi um assassinato ou um descuido de um desleixado exterminador de formigas, por exemplo. A bem da verdade, descartei de pronto o mata-formigas.
Desde que o frei Pedro Palácios deu de enganar os índios pra tocar mais depressa as obras do Convento da Penha, que as saúvas deixaram bem claro suas preferências culinárias. No cardápio delas, os pratos mais aplaudidos sempre foram as folhas de limoeiro e as de roseira. As de castanheira, eca!
Como se essas minhas observações não bastassem, há que se considerar o plantão noturno daquela lojinha de fast-food que fica ali defronte. Qualquer assassino de árvores em ação nas madrugadas despertaria a atenção da turma sanduicheira.
Praga de vizinho cansado de tanto verde pela frente também não cola. Se praga derrubasse árvore, os madeireiros estariam feitos. Muito menos uma possível somar de forças para um super olhar de seca pimenteira. Pimenteira, sim. Mas em castanheiras o buraco é mais embaixo.
Murdoch certamente abandonaria as possíveis causas mais prováveis. E foi o que fiz. Mais do que investigar pessoas que supostamente viam naquelas árvores uma barreira para o vento ou a vista, voltei meus olhos para o que as falecidas enxergavam. Foi então que matei a charada.
As três castanheiras, na ponta dos pés, não tinham outro encantamento na vida que não fosse a indiscutível majestade das cinco “monkey pod” que reinam, logo ali, na Praça dos Namorados.
Estas fantásticas árvores, filhas da Amazônia, não têm rivais por aqui. Assim como eu não tenho mais dúvidas sobre o acontecido. As saudosas castanheiras não foram assassinadas e nem fizeram um pacto de morte. Morreram, pura e simplesmente, de inveja. l

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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