O que faz uma informação se transformar em notícia? Como conquistar a atenção do público em um cenário de concorrência com o celular e de circulação constante de conteúdos nas redes sociais? Essas questões orientaram um bate-papo entre o jornalista Edimilson Ávila e os alunos do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta. Com mais de 30 anos de experiência na TV Globo, o comentarista do RJ1 compartilhou com a turma aprendizados sobre apuração, credibilidade e a capacidade de compreender a realidade das pessoas.
Para Ávila, identificar o que é notícia exige avaliar o impacto de um acontecimento na vida da população. “Um comentarista está sempre preocupado com o que pode mexer com a vida das pessoas. Um fato vai ter mais ou menos importância dependendo de quantas pessoas ele vai atingir e do impacto que tem no dia a dia delas", afirmo.
"Uma grande via do Rio de Janeiro – por onde passam milhares de pessoas todos os dias – pode ser interrompida por uma obra. Mesmo que não tenha um tiroteio ou nada trágico, isso já provoca um contratempo enorme. As pessoas podem se atrasar para a escola, ficar presas no trânsito ou perder um dia de trabalho. Quanto mais pessoas forem afetadas, maior tende a ser a relevância da notícia e o interesse por ela”, acrescentou.
"Estamos competindo com o celular", observou Ávila ao falar sobre os desafios de conquistar a audiência. Para ele, acompanhar as transformações no consumo de informação exige que o jornalista esteja sempre atualizado: "Leia muito e desenvolva versatilidade para cobrir diferentes assuntos", aconselhou.
Durante o papo com os residentes, Ávila destacou a importância de oferecer informações confiáveis em meio à circulação de notícias falsas. “O cidadão precisa saber se aquilo que está recebendo é verdade. O jornalista profissional tem essa responsabilidade, de buscar as melhores fontes, apurar, questionar contrapondo com outras informações que recebeu de fontes diferentes para entregar a informação da melhor maneira possível”.
Nascido em Maringá, no Paraná, Edimilson Ávila começou a trabalhar como cinegrafista antes de concluir a formação em Jornalismo, em 1990. Passou por emissoras em diferentes cidades brasileiras, incluindo a TV Gazeta, em Vitória, antes de ingressar na TV Globo, em 1995.
Segundo o Memória Globo, uma reportagem produzida por Edimilson para o Bom Dia Rio, enquanto cobria as férias de um repórter na editoria Rio, chamou a atenção de Evandro Carlos de Andrade, então diretor de Jornalismo da emissora. Ao assistir à matéria, ele perguntou quem era o jornalista e, ao saber que trabalhava em uma afiliada da Globo, no Espírito Santo, pediu sua contratação. Nesses 31 anos de Globo Rio, participou de projetos como o RJTV na Baixada e o RJTV nos Bairros, voltados às demandas das comunidades, além de iniciativas relacionadas à mobilidade urbana.
A trajetória do jornalista, que também produz a coluna Classificados do Edimilson – sobre oportunidades de emprego e capacitação profissional – fez dele um profundo conhecedor dos desafios da cidade e das questões que impactam a vida da população. O repertório, construído no contato direto com a realidade dos cariocas, sustenta sua atuação como comentarista, função que exerce há 18 anos.
Para Ávila, compreender as necessidades dos diferentes públicos é parte fundamental do trabalho jornalístico. Mais do que identificar um acontecimento e transformá-lo em notícia, é preciso avaliar como ele afeta a vida das pessoas e dar a cada situação o espaço e a importância que merece.
Ao compartilhar os desafios e aprendizados de mais de três décadas de carreira, o comentarista também lembrou que a jornada profissional é marcada por altos e baixos e incentivou os estudantes a não desistirem diante das dificuldades. Para os residentes da Rede Gazeta, a conversa deixou uma reflexão sobre os caminhos da profissão e a responsabilidade de quem escolhe contar histórias: em meio às transformações do jornalismo, compreender as pessoas e produzir informação relevante para a sociedade continuam sendo partes essenciais da nossa missão como jornalistas.
*Este conteúdo foi produzido pela residente Robertha Araújo, aluna do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação da editora Giuliane Calvi.