Todos os dias, mais de 100 mil pessoas utilizam o sistema de transporte urbano municipal de Vitória. São pessoas que vão para os seus trabalhos, locais de estudo ou lazer e que apostam nos ônibus como o seu principal meio de locomoção para a Capital.
Uma pesquisa da Associação Nacional de Transportes (ANTP) afirma que se 60% da população de Vitória que utiliza carros deixasse os veículos em casa para pegar ônibus, a emissão de dióxido de carbono diminuiria em 23%, o consumo viário atenuaria em 43% e o tempo gasto seria de menos 5%.
Se continuarmos nessa questão, a mesma pesquisa mostra que com a diminuição do uso de automóveis o consumo de energia iria diminuir em 37% e a emissão de poluentes locais também sofreria uma queda de 26%.
Dados da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (ABRATI) reafirmam o benefício do ônibus. Segundo o órgão, esse tipo de meio de locomoção substitui 30 carros na rua. Além disso, um ônibus emite seis vezes menos gás carbônico por passageiro do que um avião e, anualmente, mais de 1 bilhão e meio de pessoas são transportadas em ônibus em viagens interestaduais e intermunicipais no Brasil.
Se deixarmos um pouco de lado os danos ambientais e passarmos para os gastos financeiros, o consumo de combustíveis por carros de passeio, em um ano, pode variar entre R$ 2.890 e R$ 7.390, segundo a consultoria automotiva Jato Dynamics, com base nos dados do ranking de consumo anual de combustíveis do Inmetro.
Mas o que falta para que a população decida deixar o carro em casa? Priorizar o transporte coletivo no uso da via, com criação de faixas exclusivas, proporcionando maior velocidade operacional, mais conforto e qualidade no deslocamento. E disponibilizar mais horários, fornecer mais opções para o cidadão e fazer com que o tempo de trajeto gasto seja menor.
Por tudo isso vale à pena repensar sobre a utilização do ônibus no seu cotidiano, pois ao utilizar esse veículo e serviço contribui-se para o meio ambiente, para a redução de veículos, para a redução dos acidentes e número de mortes no trânsito, além de reduzir o consumo de energia, entre tantos outros aspectos.
Comparativamente, o transporte rodoviário de passageiros predomina em relação aos sistemas ferroviários, hidroviários e enfrenta um páreo duro com o aéreo no país, apenas para as longas distâncias. O principal motivo é a capilaridade dos modais rodoviários e os custos dos deslocamentos, muito mais acessíveis para a população.
*O autor é secretário-geral do Setpes e especialista em trânsito e transporte