Quando acreditamos já ter visto de tudo na República das Bananas, eis que nos deparamos com o PT criticando a intolerância política. Após seus senadores dizerem que “para prender Lula vai ter que matar gente” e ameaçarem o país com uma “rebelião popular”; após o ex-presidente dizer que, se eleito, vai “prender todos esses juízes que o perseguem”, o PT levanta a voz contra a intolerância! Vê-se, pois, que, além de canalhas, os companheiros são, também, ícones do relativismo. Em verdade, seu ódio é tão seletivo quanto oportunista.
Jogar ovos no prefeito de São Paulo é democrático; já em Lula é absurdo. Fechar estradas e invadir fazendas é liberdade; boicotar caravana petista é fascismo.
Protocolar impeachment para todos os presidentes desde 1985 é constitucional; fazer o mesmo com Dilma é golpe. Boicotar série da Netflix é cidadania; fazê-lo com a exposição do Santander é censura.
Aliar-se ao PMDB por 13 anos é governabilidade; apoiá-lo no Planalto é traição. Em outras palavras: é tudo uma simples questão de ponto de vista; depende de quem molha a mão.
Exemplos não faltam. Geddel Vieira foi detonado pelo PT após a PF encontrar R$ 51 milhões em seu apartamento. Curioso é ver que ele liderou por 4 anos o Ministério da Integração Nacional na era Lula e foi indicado por Dilma à vice-presidência da Caixa.
Já Eliseu Padilha, “braço direito dos golpistas”, segundo o site oficial do partido, certamente não era tão odiado enquanto ministro da Aviação Civil do governo Dilma. Assim como Romero Jucá, “artista de áudios conspiratórios”, era bem quisto na cadeira do Ministério da Previdência Social de Lula.
O ódio seletivo espalha-se por dezenas de nomes hoje odiados, ontem aliados. Eu, particularmente, nada tenho com Temer ou toda a quadrilha do poder. Já os petistas, ao contrário, deram 54 milhões de votos a eles.
Nas palavras de um amigo, “aceito Temer como quem aceita uma injeção: ou é isso, ou infecção generalizada”. Mas, em verdade, quem agiu incansavelmente na construção de tudo o que aí está devia recolher-se ao silêncio, deixar o país em paz e perceber que seu relativismo moral é discurso que só aos idiotas convence.