Logo nos primeiros dias de 2020, o capixaba recebeu uma notícia que se repete todo início de ano, mas que não deixa de ser decepcionante: o reajuste das tarifas dos ônibus do Sistema Transcol. Com o aumento, o valor das passagens dos ônibus convencionais passou de R$ 3,75 para R$ 3,90, um acréscimo de 4%, maior que o índice de inflação dos últimos 12 meses na Grande Vitória, que até novembro de 2019 atingia 2,41%, conforme dados oficiais do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Conquanto o aumento de R$ 0,15 isoladamente possa parecer pequeno, ele atinge de maneira significativa a população assalariada, impactando negativamente a renda das famílias mais carentes. O reajuste até seria compreensível caso fosse coerente com a qualidade do sistema de transporte coletivo da Grande Vitória, marcado por precariedades perenes e injustificáveis.
Além das altas tarifas pagas pelo usuário, não se pode esquecer que o Sistema Transcol conta com um crescente subsídio por parte do Poder Público. No entanto, nada disso impede que os ônibus circulem sempre lotados (independentemente de se tratar de dia útil, do horário das viagens, ou de ser período de férias), que os passageiros enfrentem prolongados períodos de espera, que os ônibus continuem em sua maioria sucateados e sujos, que faltem espaços adequados para embarques e desembarques, que os terminais tenham condições péssimas ou que passageiros e rodoviários convivam com uma insegurança constante.
No que pese o conhecido argumento de que a tarifa do transporte público na Grande Vitória não seja mais alta que nas outras capitais do Sudeste, é inequívoco que a qualidade do Sistema Transcol é bem inferior que a de outras regiões metropolitanas, nas quais, há tempos, a frota já foi modernizada, dispondo de ar-condicionado, rede de internet, interatividade e de corredores exclusivos para ônibus, sem contar a existência de outros meios de transporte público, como trens, metrôs e balsas.
Chama muito a atenção o fato de os ônibus do Transcol circularem sempre lotados. Se de carro não se pode andar sem cinto de segurança, é, no mínimo, um contrassenso haver mais passageiros viajando em pé que sentados. Viajar sentado não é apenas um item de conforto (merecido, diga-se de passagem, já que o transporte público é remunerado), é um importante fator de segurança.
Todos estas breves e factíveis constatações indicam o porquê da não predileção pelo transporte coletivo, piorando os níveis de congestionamento. Assim, aparentemente, os únicos satisfeitos com essa situação são os proprietários das empresas de transporte coletivo, já que a remuneração ao Sistema Transcol não parece ser compatível com a qualidade do serviço público ofertado.