O Partido Social Liberal (
PSL) definiu novos planos para as eleições municipais do ano que vem no Espírito Santo. Presidido no Estado pelo ex-deputado federal
Carlos Manato, o PSL quer ter candidato próprio a prefeito nas quatro maiores cidades do Estado. O destaque é a nova aposta do partido, confirmada por Manato, para a eleição a prefeito de Vitória: o deputado estadual
Capitão Assumção. “Aqui em Vitória, estamos com essa intenção de botar Assumção mesmo.”
Já para a Prefeitura da Serra, o PSL agora quer lançar o também deputado estadual
Torino Marques.
Para disputar a Prefeitura de Vila Velha, o PSL prepara o lançamento do terceiro integrante de sua bancada na Assembleia:
Danilo Bahiense. Já em Cariacica, o nome definido é o do
Subtenente Assis, candidato a senador em 2018 e, atualmente, diretor de Segurança Legislativa da Assembleia. O novo desenho do projeto eleitoral do PSL, incluindo esses quatro candidatos nas respectivas cidades, é confirmado por Carlos Manato.
No caso de Assumção e de Torino, há uma mudança de posições no tabuleiro eleitoral do PSL. Hoje, segundo Manato, ambos topam assumir as candidaturas, respectivamente, na Capital e na Serra. Mas nem sempre foi esse o plano.
Em entrevista a esta coluna publicada no dia 6 de janeiro deste ano, ao explicar o planejamento que então fazia para o PSL, o próprio Manato me disse que Assumção deveria concluir o mandato na Assembleia Legislativa (de 2019 a 2022), não disputando as eleições de 2020, por um compromisso do deputado com os segmentos da PMES que o apoiam: o de representá-los na Assembleia por toda a legislatura.
Àquela altura, segundo Manato, o PSL trabalhava com três possíveis candidaturas em Vitória: ele próprio, Torino ou a deputada federal Soraya Manato (esposa dele). Na Serra, o apoio seria ao deputado federal Amaro Neto (se ele fosse candidato a prefeito do município).
No dia 26 de agosto,
em nova entrevista de Manato à coluna, a conjuntura já havia se alterado, e os planos do PSL idem. Manato já excluía o próprio nome de qualquer disputa em 2020. Mas ainda não falava em Assumção.
Dizia que, em Vitória, o partido pretendia priorizar o apoio a
Amaro Neto (Republicanos), se o deputado federal concorrer mesmo à sucessão do prefeito
Luciano Rezende (Cidadania). O PSL, apontava Manato, também gostaria de filiar e lançar nessa disputa o deputado estadual
Lorenzo Pazolini (sem partido). Na Serra, o partido poderia filiar e lançar o vereador Cabo Porto (PSB).
Agora, é o próprio Manato quem afirma:
Nesta segunda-feira (03), na Assembleia, Torino conversou com a coluna e confirmou: “Se o PSL quiser que eu venha candidato a prefeito da Serra, eu venho. E Assumção tem manifestado interesse em ser candidato a prefeito de Vitória”.
Nas últimas semanas, alguns discursos e movimentos de Assumção realmente têm indicado o interesse em começar a pavimentar candidatura a prefeito da Capital.
Já em meados de outubro, Assumção começou a subir à tribuna para fazer discursos focados em Vitória. Num deles, ao seu estilo, criticou a atuação da Guarda Municipal de Vitória por, supostamente, ser leniente com pichadores. E incitou agentes da Guarda a agredirem os autores das pichações fora do alcance das câmeras de videomonitoramento.
Nesta segunda-feira, o ex-policial Walter Matias promoveu uma enquete em grupos de WhatsApp formados por apoiadores de Assumção perguntando quem eles preferem para prefeito da Capital, com o nome do deputado entre os pré-candidatos.
Lotado no gabinete de Assumção como subcoordenador, Matias é um dos mais fiéis aliados do parlamentar. Também participou do movimento grevista de fevereiro de 2017. Assim como Assumção, chegou a ser preso por isso e, ao lado do deputado, foi condenado no mesmo processo na Quarta Vara Criminal de Vitória.
Manato admite que ele mesmo foi o primeiro a defender que a interrupção do mandato de Assumção seria um problema, por conta das expectativas das tropas da PMES em relação ao mandato do deputado na Assembleia. Mas o dirigente diz que agora isso mudou.
“No início, a minha preocupação era em relação à tropa. Sempre falei isso. Mas nós transpusemos essa barreira, porque eles [apoiadores de Assumção] estão se conscientizando e sinalizando que isso não é um problema. Essas pessoas têm conversado com a gente e estão dizendo ‘não, isso aí a gente assimila bem’. Então, bom, se não dá desgaste a Assumção, então vamos trabalhar essa hipótese”, conclui Manato.