Seu pai era um humilde morador de Jerônimo Monteiro, no sul do Espírito Santo, que, aos 18 anos, foi tentar a vida no Rio de Janeiro, como ajudante de pedreiro, e instalou-se no Complexo do Alemão, um dos maiores conjuntos de favelas do mundo. Ali, na humildade, nasceu e cresceu Dalton Morais. O ano era 1969. O filho de pedreiro cursou todo o ensino básico em colégios municipais do Rio, até que, por sugestão de uma professora de música, fez a prova e foi aprovado para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas. Terminou o curso, mas não quis seguir para a academia de formação de oficiais do Exército (Aman), em Resende, no sul do Rio. “O ensino militar realmente é de alta qualidade. Porém eu tinha algumas dificuldades com a filosofia do mando, de você não poder contestar nenhuma ordem”, explica.
Passou então por alguns empregos – inclusive com o pai, numa empresa de construção civil – até encontrar a sua vocação e concluir, aos 31 anos, o curso de Direito da Uerj. Ainda durante a graduação, começou a ser aprovado em uma série de concursos. Logo após se diplomar, tomou posse, em 2002, como procurador federal da Advocacia Geral da União (AGU). Em 2006, foi transferido do Rio para o Espírito Santo. Desde a mudança, fixou-se em Vila Velha, onde continua morando até hoje – especificamente, na Praia da Costa. Além do cargo na AGU, é professor no curso de Direito da Faesa, onde leciona Direito Administrativo e Direito Constitucional.
Hoje, com meio século redondo de vida, Morais é o improvável candidato a prefeito da cidade na eleição deste ano – a primeira que ele disputará –, representando o partido Novo. Ainda pouco conhecido pelo grande eleitorado, o procurador e professor aposta na “fadiga de material” das velhas e mesmas figuras que habitam o cenário político de Vila Velha. “A população está saturada de políticos profissionais que estão desconexos com os interesses reais da sociedade.” E acredita, acima de tudo, nos princípios e propostas do partido, com os quais se sente muito identificado, como o liberalismo econômico, a meritocracia e a busca por eficiência na administração pública. “Foi o que pratiquei a minha vida inteira.”
Apoiador de João Amoêdo na eleição presidencial de outubro de 2018, Morais participou, espontaneamente, de sua primeira reunião do Novo no mês seguinte àquele pleito. No mesmo mês filiou-se. Em 2019, foi aprovado e realizou o curso do movimento RenovaBR para formação de líderes políticos. Decidiu, então, participar do processo seletivo interno do Novo para ser o representante do partido na eleição a prefeito de Vila Velha. No país inteiro, o partido decidiu só lançar candidatos em 65 cidades. No Espírito Santo, serão somente duas. A outra é Vitória, onde o candidato do partido será o coronel Nylton Rodrigues.
A seleção interna envolveu análise de currículo, comprovação de pelo menos oito anos de experiência em gestão pública ou privada, uma bateria de entrevistas e a apresentação de um projeto inicial com propostas para duas áreas da cidade. “Apresentei para quatro: educação, segurança, aumento de produtividade no serviço público e melhoria do ambiente de negócios”, conta ele.
Após passar por todas as etapas do processo, Morais recebeu, em dezembro, a notícia de que fora aprovado. Entre os postulantes à vaga em Vila Velha, ele foi o único considerado apto para ser candidato a prefeito. A legenda é sua, portanto. Em torno dele, já há uma equipe de 80 voluntários trabalhando na pré-campanha. E ele afirma: não quer vencer a qualquer custo, mas acredita ser possível ganhar de verdade a eleição, derrotando todos os Golias, inclusive a máquina da atual gestão – já que o prefeito Max Filho (PSDB) deverá buscar a reeleição. “Essa eleição de 2020 será disruptiva, assim como foi a de 2018”, projeta.
Na entrevista completa de Morais, você pode conhecer melhor o que pensa o pré-candidato a prefeito de Vila Velha. Confira abaixo: