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Paulo Bonates

Que país é esse que construímos para nossos filhos?

Os protagonistas dessa vil roubalheira são incentivados à prática impune do mal. Isso tudo enquanto constatamos a apatia do governo

Publicado em 27 de Junho de 2018 às 14:41

Públicado em 

27 jun 2018 às 14:41
Paulo Bonates

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Paulo Bonates Paulo Bonates

Que país é esse que construímos para nossos filhos e netos? Acabo de ouvir a corriqueira soltura de mais um ilustre membro da quadrilha que assola o país, o ex-ministro José Dirceu. No meu parco entender, as autoridades não têm direito de fazer isso com o que resta da nossa fé. Todo santo dia entra um, sai outro semelhante. E olha que são delinquentes cuja culpa está superestabelecida. Furam uma brecha e fazem o que querem. E a dinheirama roubada some e não se fala mais nisso.

O que uma medida dessas faz com o inconsciente coletivo? Os protagonistas dessa vil roubalheira são incentivados à prática impune do mal. Isso tudo enquanto constatamos a apatia do governo diante do sucateamento dos hospitais e demais áreas da saúde, estradas caindo aos pedaços e uma malha ferroviária da qual só restam vestígios. Paira no ar do Brasil um esquema bandido mais poderoso que qualquer instituição, repetido por décadas, especializado em mentir.

A consciência popular emerge muito vagarosamente. Em uma enquete que gira na televisão sobre “o futuro desejado para o país”, quase todos citam diminuir a corrupção, acabar parece impossível. É como se os impotentes cidadãos compreendessem ser impossível terem todos um país limpo e livre dessas tramóias que vão e vem de e para todos os lados.

Enquanto isso, cada vez mais criativo o, por assim dizer, governo, quer inventar sob o fake name de reforma, os macetes e truques que impõem ao bravo e combalido povaréu. A mentira paira nos arranha-céus dessa estranha elite do poder nacional.

Perdoem-me as bandeirolas, mas o futebol nesta terra é uma doença. Vença ou não vença, o Brasil é o maioral e é o único poder que mobiliza, ainda que alienada, a torcida nas porfias de rua sem a mínima noção da política que vivemos e à qual estamos inexoravelmente submetidos. Minha senhora, neste exato momento a sua família está submetida à sopa de letrinhas que originam qualquer interpretação legal. Não é dado o direito de conhecê-las, de fato, porque podem se transformar e arranjar-se de modo a produzir argumentos, estranhas leis, para impor qualquer coisa.

Mentira, a secular mentira, se instaura no país, onde a classe média distraída anda a escolher candidatos para votar. Sempre remendando. Não seria agora o momento de uma nova Constituição? Uma que fosse obedecida e não tivesse a fundamental incumbência de isolar os ricos dos pobres?

PS.: Vi na TV um prisioneiro miserável como tantos que estava cumprindo nove anos a mais em regime fechado.

* O autor é médico psiquiatra, psicanalista e jornalista

Paulo Bonates

Paulo Bonates Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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