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PT quer trazer Lula a Vitória em fevereiro para aniversário da sigla

Para comemorar os 40 anos do partido, a presidente estadual do PT, Jackeline Rocha, convidou o ex-presidente. Ela defende que Lula seja candidato à Presidência em 2022

Publicado em 07 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

07 jan 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Lula foi convidado por Jackeline Rocha para visitar Vitória em fevereiro Crédito: Amarildo
Fundado em 10 de fevereiro de 1980, o Partido dos Trabalhadores (PT) completará 40 anos de existência no próximo mês. Para participar das celebrações do aniversário, a direção do PT no Espírito Santo quer trazer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Vitória. Quem o afirma é a nova presidente estadual do partido, Jackeline Rocha.
Ela conta que já convidou Lula pessoalmente e que estendeu o convite à deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, e ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, candidato do partido à Presidência da República em 2018, derrotado por Jair Bolsonaro no 2º turno.
Segundo Jackeline, a festa nacional de aniversário do PT está marcada para o Rio de Janeiro, nos dias 7, 8 e 9 de fevereiro. Como serão três dias de festejos e atividades no Estado vizinho, a ideia da dirigente é organizar uma rápida passagem de Lula por Vitória durante as comemorações – ou seja, uma “viagem bate e volta”. Ela admite, contudo, que ainda não há nada definido.
“Queremos trazer o Lula. Ele está reorganizando a agenda de caravanas. Vai depender muito da logística no Rio. Mas, como o trajeto é próximo e nosso evento será concomitante, acredito que seja possível”, explica Jackeline.
No Espírito Santo, a direção estadual está organizando um festival cultural para o dia 8 de fevereiro (um sábado), em comemoração aos 40 anos do PT. “A gente quer trazer um pouco sobre a participação da esquerda na produção de cultura no Espírito Santo: escritores, cineastas, artistas em geral, tanto filiados ao PT como simpatizantes. Também teremos feiras de artesanatos e orgânicos, tudo ligado à economia solidária”, conta Jackeline.
Mas não é só a organização da festa de aniversário do PT que tem tomado o tempo da nova presidente estadual, empossada no cargo no dia 13 de dezembro. Afinal, ela precisa organizar o partido, em todo o Estado, para as eleições municipais de outubro. Para isso, conta que já tem viajado bastante e, a partir do próximo dia 15, pretende intensificar uma caravana para visitar, até o fim de fevereiro, todos os 52 diretórios municipais que o PT possui hoje no Espírito Santo, além das executivas provisórias constituídas nos demais municípios.
Dessa caravana também participarão outros dirigentes do PT capixaba, como o ex-prefeito de Vitória João Coser – atual secretário estadual de Organização da sigla –, a deputada estadual Iriny Lopes e o ex-deputado estadual José Carlos Nunes.
“Nosso objetivo é fazer uma grande caravana pelo Estado, visitando essas cidades com diretórios recém-eleitos para falar sobre o programa que vamos apresentar para o Estado”, resume Jackeline.

ELEIÇÃO DE 2022: “TEM QUE SER O LULA”

Integrante da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), a mesma de Lula nacionalmente, Jackeline está no time de petistas que defendem que o ex-presidente deve ser o candidato do partido à Presidência em 2022:
“A nossa estratégia nacional está interligada. Temos falado que, em 2022, o candidato tem que ser o Lula, mas isso depende da conjuntura. Estamos buscando provar a inocência dele. Na minha opinião, sem dúvida, Lula é nosso candidato em 2022.”
Isso, é claro, se ele puder se candidatar. Hoje, não poderia.
Com base na Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo próprio Lula, o ex-presidente está inelegível por oito anos, por já ter sofrido condenação judicial aplicada por órgão colegiado. A rigor, no caso do triplex no Guarujá, Lula já foi condenado até em terceiro grau: o STJ, embora tenha reduzido sua pena, confirmou a condenação aplicada pelo então juiz federal Sergio Moro e que já havia sido mantida, em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Foi justamente por esse motivo que Lula não pôde concorrer à Presidência em 2018, embora liderasse as pesquisas em que figurou até meados do 1º turno.
Assim, para que Lula possa voltar a disputar a Presidência, em 2022, é necessário que a sua condenação no caso do triplex seja anulada – por exemplo, por decisão do STF.
Em paralelo, porém, ainda pesam contra ele outros processos na Justiça que, em teoria, também podem ter o efeito de torná-lo inelegível.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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