Apesar de ser histórica aliada de Casagrande e compor a base dele no plenário, Iriny votou contra por coerência: no Congresso Nacional, a bancada do PT fechou questão contra a reforma da Previdência apresentada pelo governo
Bolsonaro. No Espírito Santo, tanto no tocante à idade mínima como ao percentual da alíquota, os projetos de Casagrande são, basicamente, uma reprodução do que foi aprovado em Brasília.
Aí já podemos dizer que a coerência mandou lembranças. Afinal, no plano federal, a reforma da Previdência elaborada pela equipe econômica liderada por
Paulo Guedes é o carro-chefe não só do ministro da Economia como do próprio governo Bolsonaro. No Espírito Santo, o teor dos projetos de Casagrande foi mais do mesmo, mudando apenas o público-alvo: aplicam-se aos servidores estaduais. No caso, o voto contrário à reforma de Casagrande é somente mais uma prova de que a bancada do PSL assentou pé no campo da oposição incondicional.
Já no fim do processo de votação, perto das 21h30, Iriny ainda tentou emplacar uma emenda sua e foi à tribuna defendê-la. Antes que a deputada sequer pudesse explicá-la, o líder do governo,
Enivaldo dos Anjos (PSD), correu para dizer que indicava voto contra a emenda. Iriny retrucou que ele nem sequer conhecia o seu teor. Enivaldo não resistiu à provocação: “Como o PT hoje está junto com o PSL, sei que essa emenda não pode ser boa”. Para marcar posição claramente e guardar distância do PSL, Iriny respondeu: “O culpado disso tudo é um homem: Jair Bolsonaro”.
De todo modo, o governo já sabia não contar, desde o início, com os votos de Iriny e do PSL. O mesmo não se pode dizer do voto de
Janete de Sá (PMN), integrante da base governista. No início das articulações, o governo esperava o voto da deputada, que não veio. À coluna, ela confirmou que votou contra a reforma previdenciária por sua atuação, desde a origem política, muito ligada a movimentos sindicais e à classe trabalhadora. Segundo uma fonte da cozinha do Palácio Anchieta, não chegou a ser uma traição porque Janete comunicou previamente que votaria contra, mas isso “não é bom” para ela, pois a deputada “perderá espaço e prestígio junto ao governo”.
E
Theodorico Ferraço (DEM), hein? No primeiro turno, à tarde, o deputado deu um dos 19 decisivos votos para a aprovação da PEC da idade mínima. Mas não teve suas emendas acatadas pelo plenário. À noite, o deputado se mandou e não voltou para a votação da PEC em segundo turno, em sessão iniciada por volta das 20h40. Alguma coisa na certa o contrariou nas tratativas com o governo, que se viu então em apuros: a PEC passou raspando, com só 18 votos a favor.
A coluna apurou que, preocupado com o sumiço, o secretário-chefe da Casa Civil, Davi Diniz, que passou o dia articulando a aprovação da reforma na Assembleia, chegou a telefonar para Ferraço. O deputado respondeu que tinha precisado ir a um enterro na Serra. Tem gente que acha que Ferraço “matou” alguém para não votar. E quase acabou enterrando a reforma...
A votação da reforma da Previdência também uniu o que parece água e óleo, não só no caso do PSL com o PT. Ideologicamente, os deputados
Sergio Majeski (PSB) e
Lorenzo Pazolini (sem partido) estão bem distantes. Sem falar que, no ano que vem, podem até ser adversários na disputa pela Prefeitura de Vitória. Porém, mais uma vez, convergiram não só no voto contrário ao governo como principalmente nas críticas pela maneira apressada como os projetos do Executivo foram votados.
Em vários pronunciamentos ao longo das seis sessões do dia, Pazolini martelou a tecla de que o debate estava sendo cerceado. Em um dado momento, o presidente da Assembleia,
Erick Musso (Republicanos), saiu em defesa da própria instituição: “Esta Casa está sendo democrática e deixando o debate acontecer. Tanto que Vossa Excelência fez uma sessão hoje, às 9 horas, para discutir o tema”.
Ontem foi aniversário de Sergio Majeski. Encerrados os trabalhos após a sexta e última sessão do dia, Erick Musso ainda fez uma última gozação: “Lembro a todos que o jantar hoje é por conta de Majeski”.