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Opinião da Gazeta

Proteção na Terceira Ponte: razão e sensibilidade

Interdições para resgate na Terceira Ponte são um problema que exige soluções pragmáticas, que não abandonem a empatia

Publicado em 11 de Setembro de 2018 às 22:17

Públicado em 

11 set 2018 às 22:17

Colunista

Um dia após a mais longa interdição da Terceira Ponte para uma operação de resgate, uma resposta há tanto tempo esperada sobre a implantação de uma barreira de proteção foi dada pelo poder público, com o compromisso do governo estadual de solucionar um dos problemas que mais exigem razão e sensibilidade não só das autoridades, como da própria sociedade.

No campo da razão, é preciso evitar que o trânsito da Grande Vitória continue a ser afetado de forma tão drástica pelos fechamentos da ponte. Na segunda-feira (10) foram oito horas de interdição, que levaram a mais de oito horas de engarrafamentos e lentidões. Transtornos que vão além do direito de ir e vir. Em um dos carros parados no trânsito estava um motorista com a mãe, de 98 anos, a caminho do médico. É apenas um exemplo das situações que têm potencial de se tornarem ainda mais graves quando as cidades param da forma como testemunhamos na segunda-feira.

Desde o ano passado, a Agência de Regulação dos Serviços Públicos (Arsp) vem estudando a implantação de uma barreira de segurança para evitar suicídio. Há agora uma promessa de que a instalação terá início até o fim deste ano. Que se cumpra! A Grande Vitória não pode continuar a sofrer as consequências da ponte fechada, justamente pelas características peculiares que a tornam dependente da construção inaugurada em 1989 na mobilidade urbana.

Já a sensibilidade é o outro requisito essencial para o trato humanizado da saúde mental. É significativo que o caso tenha ocorrido justamente no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, em pleno Setembro Amarelo. Lamenta-se, portanto, que ainda impere a falta de empatia. Compreende-se que não é fácil manter a paciência numa situação dessas, mas são inaceitáveis comportamentos como os descritos pelo capitão do Corpo de Bombeiros que chefiou a operação: houve quem soltasse foguetes ou direcionasse focos de luz na vítima, dificultando ainda mais o salvamento e, por fim, a própria liberação da via.

Pragmaticamente, a Terceira Ponte deve ser inviabilizada como cenário dessas tentativas desesperadas, mesmo que a proteção não solucione o problema do suicídio como questão de saúde pública. A barreira protetora colocará fim a um triste estigma, de uma das mais belas paisagens da Grande Vitória. Espera-se que não seja somente um anúncio de ocasião.

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