Voltar atrás em palavra dada tem sido uma constante deste claudicante governo Temer, como visto na negociação naufragada da reforma da Previdência e nas ingerências para estancar a greve dos caminhoneiros, como o tabelamento do frete. Desta vez, a quebra de compromisso atinge em cheio o Espírito Santo, com a retirada do projeto de construção da ferrovia EF-118 da lista de contrapartidas acordadas em novembro do ano passado.
Há quatro dias, a União apresentou nova proposta à Vale, de que, em troca da renovação antecipada da concessão da Vitória-Minas, a mineradora invista na construção de uma ferrovia no Centro-Oeste. Um duro golpe – e pelas costas. Empresários e especialistas são unânimes em apontar que a perda do ramal ferroviário – que representa um investimento de R$ 1 bilhão e mais de cinco mil empregos – trará prejuízos à economia capixaba.
A EF-118, que ligaria Vitória e Presidente Kennedy, no Litoral Sul do Estado, é estratégica por interligar a malha ferroviária, conectar portos e escoar a produção brasileira. No caso do Espírito Santo, a perda desse investimento coloca em xeque até mesmo a força competitiva do Porto Central, em construção.
Ainda mais grave que a repentina mudança de planos do governo federal, sem qualquer esclarecimento sobre seu propósito, é o desequilíbrio da nova da proposta. Caso seja mantida a alteração, o Espírito Santo arca somente com os ônus da renovação antecipada da concessão da Vitória-Minas. Aqui permanecem os impactos sociais e ambientais, enquanto o bônus do investimento escoa para outras regiões. “Temer concorda que os investimentos têm que ser executados onde a ferrovia está localizada, e não em outro Estado”, disse o governador Paulo Hartung à época.
Neste momento, a bancada capixaba no Congresso e o governo do Estado devem deixar de lado partidarismos e divergências políticas e trabalhar em conjunto, em prol do Espírito Santo, para que a União reassuma o compromisso. É hora de mostrar o bom trânsito que nossos políticos dizem ter em Brasília.