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Angelo Passos

Projeções inquietantes para o Brasil

Economia encolhe 3,34% em maio. Consumo e investimentos estão inibidos. Maior problema para o crescimento do PIB é rombo nas contas públicas

Publicado em 17 de Julho de 2018 às 07:42

Públicado em 

17 jul 2018 às 07:42
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos Angelo Passos
Previsão para a economia Crédito: Amarildo

Veio maior do que esperada a queda de 3,34% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), em maio, atribuída aos impactos da greve dos caminhoneiros. Assusta, porque se trata de um sinalizador do PIB.

Na comparação com maio de 2017, o índice recuou 2,90% – um retrocesso na claudicante recuperação da economia. No acumulado em 12 meses vê-se alta de 1,13%, patamar mais baixo do que a estimativa para o PIB neste ano: 1,5%, segundo o mercado financeiro.

Essa situação compromete o futuro, a medida que adia investimentos. O setor privado trabalha com grande capacidade ociosa e não precisa expandir a produção.

O consumo das famílias está sendo tolhido pelo desemprego, pelo subemprego e pelo avanço da inflação em despesas que mais espetam o bolso da população. As contas de água e de luz aumentaram, a gasolina está caríssima, e os preços de vários alimentos dão saltos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 1,29%, na Grande Vitória, no mês de junho. Mais do que a média nacional, 1,26%, também muito elevada. Resumindo: investimentos adiados e consumo deprimido. No momento não há nenhum vetor de expansão da economia doméstica.

O consumo das famílias está sendo tolhido pelo desemprego, pelo subemprego e pelo avanço da inflação em despesas que mais espetam o bolso da população

O maior problema do país é fiscal. Infunde medo em relação ao futuro. O progressivo agravamento das contas públicas se reflete na evolução medíocre e insegura do PIB. Este será o quinto ano consecutivo de déficit nas finanças federais, que não sairão do vermelho antes de 2022 - em hipótese otimista. Faz pensar até que nova recessão está sendo desenhada.

Mesmo que o teto dos gastos públicos seja mantido no próximo governo, o que parece pouco provável, não irá resolver – nem de longe – o nó fiscal. O Executivo não conseguirá investir com 90% dos dispêndios engessados, e o dinamismo da economia não irá gerar receita no montante desejável.

Se o sucessor de Temer não fizer minimamente duas reformas, a da Previdência e a tributária, alguns ministérios poderão paralisar suas atividades até 2020, criando uma situação dramática.

O mínimo que a sociedade pode fazer é não eleger um presidente populista.

*O autor é jornalista

 

Angelo Passos

Angelo Passos Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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