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Orlando Caliman

Prioridades do eleitor vão mudar até o encontro com a urna

É nesse caminho que o eleitor vai acionando gradativamente o seu sistema dois do cérebro, que é baseado mais na lógica das relações, portanto na racionalidade

Publicado em 27 de Junho de 2018 às 14:48

Públicado em 

27 jun 2018 às 14:48
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Urna eletrônica Crédito: ABr
Talvez nada tenha intrigado tanto os políticos candidatos às eleições de outubro quanto a opacidade do ambiente político e os movimentos erráticos, muitas vezes nem tão racionais dos eleitores. Sem dúvida também intrigam, e até mais ainda, os cientistas políticos e os marqueteiros. Nem mesmo os institutos de pesquisa escapam das imprevisibilidades e das verdadeiras armadilhas que reserva um eleitor que se apresenta mais errático e mais “liquefeito” nos seus movimentos.
A última pesquisa do Datafolha, realizada nos dias 6 e 7 de junho, mostrou que o eleitor, quando perguntado, sem estímulo, sobre quais problemas o preocupavam mais, colocou no topo da lista a corrupção, com 18% das indicações. No mesmo patamar apareceu a saúde, seguindo-se o desemprego, com 14%. A violência veio depois com 9%; economia e educação, com 8%; e a inflação com apenas 2%.
As respostas sem o efeito de estímulos, dizem os cientistas da neurociência, normalmente acionam o que se usa denominar de sistema um, produtos da parte mais primária do cérebro. Diz-se que nessas situações se usa menos a razão e mais a emoção na hora das decisões.
Normalmente em processos eleitorais a evolução dos números relativos às respostas dadas espontaneamente apresentam no início um perfil mais pulverizado, portanto, com menor nitidez, tendendo para um perfil mais nítido e concentrado ao final. É nesse caminho que o eleitor vai acionando gradativamente o seu sistema dois do cérebro, que é baseado mais na lógica das relações, portanto na racionalidade.
O interessante é que nessa mesma pesquisa, quando o entrevistado é estimulado a dizer quais as prioridades a serem atacadas pelo próximo presidente, a corrupção, que constava no topo na resposta espontânea, passa à sexta posição, com apenas 2%. Nesse caso o lado mais racional e pragmático passa a funcionar, e a saúde se mantém no topo com 41%, seguindo-se educação (20%), desemprego (8%), violência (7%), economia (5%).
Resta saber como vai se comportar o eleitor até outubro no caminho de uma maior racionalidade na hora de acionar a urna eletrônica. A corrupção que explora mais o lado emocional, até por conta da enorme exposição que vem recebendo pelas mídias, principalmente as sociais, já teve o seu ponto alto. Na pesquisa Datafolha de março de 2016 a corrupção chegou a atingir 37% das indicações, aparecendo no topo da lista dos problemas do país, seguida pela saúde, com 17%. Bem diferente do que mostrou a pesquisa Datafolha de março de 2011: a ordem foi saúde (31%), segurança (16%), educação (12%). Já a corrupção apareceu com apenas 3%.
A sinalização das pesquisas é de que não será a corrupção o fator decisivo na hora do voto. O que já é um bom sinal.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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