A um mês do prazo previsto pelo governo para a Câmara dos Deputados votar a reforma da Previdência, Temer foi programa Silvio Santos, e sob o olhar das “colegas de trabalho”, advertiu: se não houver mudanças “vai acontecer daqui a dois ou três anos o que aconteceu em Portugal e na Grécia”. Com a dívida da Previdência “foi preciso cortar, 30%, 40% dos vencimentos dos funcionários públicos". Em outras palavras, a crise fiscal pode se tornar insuportável.
Deve-se ter cuidado ao buscar semelhanças do Brasil com outros países. Só nós produzimos jabuticaba. Portugal sofreu crise seríssima, desenvolvida no contexto da dívida pública da Zona Euro. No pico, em 2010, chegou a registrar 52 falências por dia. Houve, sim, o corte de salários citado por Temer, mas nem com Dilma sofremos esse martírio.
Em relação à Grécia, o histórico é apavorante: entrou em colapso, no final da última década, levado pelo descontrole das contas públicas. Depois, veio a depressão. O desemprego atingiu 28%. Os gregos podem ter de esperar até 2040 para voltar a níveis de vida como em 2008.
Surgiram muitos estudos, especialmente a partir de 2015, alertando sobre o risco do Brasil cair no mesmo caminho da Grécia se não reformar a Previdência. O alarme aumenta com o buraco de R$ 268,8 bilhões no caixa previdenciário em 2017.
O gasto brasileiro com o sistema previdenciário equivale a 13% do PIB, mais do que 11% na Grécia, quando afundou. Mas, o impacto é relativamente menor na nossa economia, porque é mais forte. Tem previsão de crescimento superior a 2,5% neste ano. A recessão terminada em 2017 ocorreu por barbeiragem do governo Dilma, não por questão estrutural, como na Grécia.
A reforma da Previdência tornou-se imperiosa no Brasil. Segundo cálculos do governo, os gastos com o sistema podem saltar dos atuais 55% para 82% do Orçamento da União até 2024, descontado o pagamento dos juros da dívida. Surgiria uma situação dramática, sob o aspecto fiscal e para a sociedade. O dinheiro se tornaria muito mais escasso do que já está para saúde, educação, segurança, habitação, investimento etc. A recessão seria inevitável.
*O autor é jornalista