Ariel Leão*
Buscava fontes para uma matéria jornalística sobre doenças da mente e perguntei em uma rede social quem estava fazendo tratamento para cuidar da ansiedade ou depressão. O número de respostas me assustou. Primeiro porque são pessoas que aparentam estar sempre de bem com a vida em todos os momentos e, segundo, pelo grande número de indivíduos.
O que comprova que as doenças da mente precisam ser mais discutidas são os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados pelo Ministério da Saúde em setembro de 2017, mês marcado pelo Setembro Amarelo, campanha criada para conscientizar sobre a prevenção do suicídio. Os dados da OMS apontam que mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano no mundo. É uma questão de saúde pública que necessita de atenção do poder público e de toda a sociedade.
Para buscar redução nos casos de suicídios e desconstruir que a ajuda psicológica é algo vergonhoso, o poder público precisa investir em campanhas e disponibilizar atendimentos mais acessíveis a todos
Já no Brasil, o suicídio é a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, sendo a terceira maior causa de morte de homens e a oitava de mulheres do mesmo grupo de idade. Para o psicólogo Diego Souza, ambientes com mais fatores estressantes e poucas habilidades psicológicas sendo desenvolvidas acabam por gerar mais transtornos, principalmente os voltados à depressão e ansiedade.
Para buscar redução nos casos de suicídios e desconstruir que a ajuda psicológica é algo vergonhoso, o poder público precisa investir em campanhas e disponibilizar atendimentos mais acessíveis a todos. Quem sabe assim a sociedade vai parar de tratar o auxílio psicológico como tabu e procurar estar em contato com os profissionais não só em momentos difíceis, mas na busca constante por uma vida melhor.
Se você se vê ansioso, depressivo ou com qualquer outro sinal de alerta, procure uma ajuda profissional e converse com seus amigos sobre isso. O Centro de Valorização da Viva oferece atendimento emocional gratuito no número 188.
*O autor é universitário