O regime norte-coreano é provavelmente a ditadura mais fechada do mundo. Seu modelo comunista caracterizado por isolamento ao exterior e busca por autossuficiência desde o final da Guerra da Coreia (1950-1953) gerou uma política externa agressiva em relação aos seus vizinhos do sul e também aos norte-americanos.Na década de 1990, as tensões recrudesceram com a ascensão de Kim Jong-Il ao poder e o início do programa de mísseis balísticos. Sentindo seu isolamento e tentando desesperadamentemanter vivo um regime que só gera miséria para a população, o governo norte-coreano avançouseus investimentos para adquirir capacidade nuclear de mísseis.
Nesse período, o governo Clinton, nos EUA, tentou se aproximar de Pyongyang ao promover um acordo junto com os sul-coreanos e japoneses, que investiriam muito dinheiro em uma organização chamada KEDO (Organização para Desenvolvimento de Energia da Coreia), em troca do fim do programa de
mísseis promovido por Kim Jong-Il. Contudo, a política de blefe comunista continuou e, depois
de alguns anos, os norte-coreanos acabaram enganando o governo Clinton e avançando mais ainda
no programa de capacidades ofensivas.
Com a morte de Kim Jong-Il e a chegada de seu filho ao poder, Kim Jong-Un, surgiu uma nuvem sobre o futuro do conflito na península coreana. O que se percebeu foi a continuidade do programa nuclear para fins bélicos e, hoje, segundo os relatórios de inteligência dos EUA, Coreia do Sul e Japão, os norte-coreanos já possuem algumas poucas ogivas nucleares capazes de gerar grande devastação regional. Com essa conquista de capacidade nuclear, mesmo que pequena e incipiente, o regime de Pyongyang ganhou um trunfo para negociação, pois agora tem maior capacidade de dissuasão e barganha.
O governo Trump adotou uma política de contenção do poder norte-coreano e aumentou a pressão e sanções sobre os norte-coreanos. Até o momento surtiu efeito positivo, pois ao que parece isso incentivou Kim Jong-Il a negociar e buscar cooperação para diminuir as tensões. Impossível saber os resultados dessa aproximação, mas o fato da busca de cooperação ter partido de uma iniciativa dos próprios norte-coreanos é um bom sinal de que a política externa de Trump teve efeitos melhores para a possibilidade de um acordo. Em vez de aceitar as demandas ameaçadoras de Pyongyang, Trump dissuadiu
militarmente os norte-coreanos e, dessa forma, os trouxe para uma possível cooperação.
* O autor é doutor em História e professor do curso de Relações Internacionais da UVV