Para início de conversa, faz-se oportuno cientificar, tenha você visto ou não nas pautas da mídia esta semana, quando Bolsonaro voltou a atacar o educador brasileiro Paulo Freire, a ponto de o intitular de energúmeno. Mas você sabe o que isso significa?
A revista "Galileu Galilei" trouxe para nossa reflexão, recentemente, que a palavra tem origem grega e vem do termo "ergon", que significa "trabalho" ou "coisa feita". Quando junto da partícula "en" se transforma em "enérgeia", que em português contemporâneo pode ser traduzido para "energia" — mas significa "trabalho interno" nesse contexto. A combinação de todos esses sentidos era, para os gregos, sinônimo de uma energia interna que operava obsessivamente sobre a pessoa em questão, enfurecendo-a. Trocando em miúdos, energúmeno significa alguém possuído, possuído pelo demônio.
Paulo Reglus Neves Freire foi um educador e filósofo brasileiro. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica. A pergunta é: onde está o energúmeno nesta história?
Maria Madalena, personagem bíblica, também foi tida como endemoniada quando começou a pensar diferente dos doutores e familiares do seu tempo. Quando Maria Madalena desejou a liberdade à imposição e lutou por isso, foi levada ao mar para que fosse expulso dela os sete demônios. Mas o demônio parece não ter saído dela, pois ela persistiu o caminho de liberdade pregado e vivido pelo Homem de Nazaré, conta uma série recente sobre a Apóstola de Jesus.
Para Bolsonaro, quem pensa, quem critica e quem defende a liberdade surge como uma ameaça a si mesmo. A força maior que agia em Paulo Freire não é a força maior que age em Bolsonaro. Temos, portanto, um paradoxo de forças. Todas as vezes que algum pensamento, pessoa e movimento se levanta com uma proposta diferente da do Bolsonaro, ele grita e tenta diminuir, afinal, essa é a atitude dos possuídos pela fraqueza. O franco sempre vai tentar diminuir o forte.
Paulo Freire sempre deu a vida por uma educação além da direita e da esquerda, ele deu a vida por uma educação capaz de fazer as pessoas crescerem como gente, como pessoa. Para ele, “a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Mas, para Bolsonaro, a educação que fala em ideologia de gênero, em homoafetividade, educação que faz pensar e formar opiniões diferentes precisa ser quase aniquilada, pois ela é uma ameaça a sua pregação.
Finalizo o pensamento de hoje dizendo: quem será o verdadeiro energúmeno? O acusador ou o acusado? Quem necessita ser exorcizado? O acusador ou o acusado? No fundo, quem prega a liberdade de pensamento, quem ensina o outro a pensar, já se tornou inimigo do presidente. Paulo Freire, não é o único a incomodar tanto o Bolsonaro, todo aquele que pensa o ameaça, logo o incomoda. Pois o pensamento crítico e a boa educação são capazes de tirar do presidente o que ele mais detém e teme, o poder.