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Disputa fora do campo

Por que a CBF considera o Flamengo hexa e não heptacampeão brasileiro?

Rubro-Negro se declara heptacampeão. Em nota, CBF até reconhece  o Flamengo como merecedor da designação heptacampeão, mas respeita  a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que decretou o Sport como campeão brasileiro de 1987. Entenda a polêmica

Publicado em 26 de Novembro de 2019 às 19:06

Públicado em 

26 nov 2019 às 19:06
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Flamengo levantando a taça da Copa União de 1987 Crédito: Divulgação
O futebol brasileiro acumula polêmicas ao longo de sua história. Entretanto, uma em especial, que já dura 32 anos, sempre volta ao centro das atenções quando o Flamengo conquista o título do Campeonato Brasileiro. Após garantir a taça desta edição do Brasileirão, o Rubro-Negro descreveu em seu site oficial que agora é heptacampeão brasileiro porque venceu o torneio em 1980, 1982, 1983, 1987, 1992, 2009 e 2019. Entretanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade máxima do futebol no país entende que o clube carioca é hexacampeão, por respeitar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que decretou o Sport como o campeão brasileiro de 1987. 
"A questão extrapola o entendimento da CBF. Após longa discussão judicial, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o Sport Club do Recife é o único Campeão Brasileiro de 1987, ao contrário do que chegou a propor a CBF, em 2011, que considerava os dois clubes campeões daquele ano. Assim, em respeito à decisão do Poder Judiciário e do ponto de vista legal, não há alternativa à CBF senão reconhecer o Clube de Regatas do Flamengo como hexacampeão brasileiro", declarou a CBF ao portal UOL.  
Após a declaração ao UOL e percebendo o tamanho da polêmica, a CBF divulgou uma nota afirmando que considera o Rubro-Negro merecedor da designação de heptacampeão, mesmo reconhecendo o Sport oficialmente como o campeão brasileiro daquele ano: "A CBF esclarece que, ao longo do processo judicial sobre o Campeonato Brasileiro de 1987, defendeu que o título fosse compartilhado entre Sport Clube do Recife e Clube de Regatas do Flamengo. A decisão judicial determinou que o Sport Clube do Recife fosse considerado o Campeão Brasileiro daquele ano. Sob o ponto de vista esportivo, a CBF, a título de opinião, considera que o Clube de Regatas do Flamengo é merecedor da designação de heptacampeão brasileiro", diz a nota. Ou seja, a entidade concorda que o Flamengo  é heptacampeão, mas não vai oficializar porque seguirá respeitando a decisão do STF.
Na lista de títulos do Flamengono site da CBF, o Rubro-Negro conta com sete troféus, mas o de 1987 é chamado de "Copa União", enquanto ou outros seis, inclusive os anteriores, de "Brasileiro". O Flamengo, no entanto, ainda reivindica o reconhecimento da Copa União como torneio nacional. Mas você sabe o que aconteceu em 87? Porque esse assunto insiste em retornar aos holofotes?

Entenda o caso 

Após a CBF anunciar que não tinha condições financeiras de organizar o Campeonato Brasileiro de 1987, clubes decidiram se unir e criar o Clube dos 13, entidade que faria oposição à confederação e que organizou a Copa União, que pretendia ser o torneio nacional daquele ano. Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Internacional Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco integravam o Clube dos 13. Esses e mais Santa Cruz, Goiás e Coritiba disputaram o campeonato. 
Sport foi decretado o campeão brasileiro de 1987 Crédito: Divulgação
Após a formação do novo torneio, a CBF mudou de ideia e decidiu que realizaria o nacional, com aqueles que ficaram fora da Copa União. A entidade, então, batizou o torneio do Clube dos 13 como Módulo Verde e a competição organizada por ele como Módulo Amarelo. Entretanto, a CBF criou um novo regulamento, que previa o cruzamento de campeão e vice do Módulo Verde com campeão e vice do Módulo Amarelo. O Clube dos 13 não aceitou o regulamento e declarou que não disputaria o cruzamento. Entretanto, interlocutor do Clube dos 13, Eurico Miranda, então vice-presidente do Vasco, aceitou a proposta da CBF e assinou como representante legal do Clube dos 13, mesmo sem o consentimento dos demais clubes representados. 
Flamengo e Internacional (vice do Módulo Verde) se recusaram a participar da disputa e, que seria contra, Sport e Guarani (vice do Amarelo), que fizeram uma final entre si, em 1988. Os pernambucanos foram declarados campeões brasileiros de 1987 pela CBF. Enquanto o Flamengo foi o campeão da "Copa União", campeonato visto como o principal do país, que contou com os principais patrocínios e com exibição em TV aberta.

Disputa na Justiça 

Em 1994, a Justiça de Pernambuco reconheceu o Sport como único campeão nacional de 1987. Em 2011, a CBF publicou uma resolução reconhecendo o Flamengo como vencedor do título daquele ano. Mas decisão da CBF foi anulada, três anos depois, pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). O Flamengo recorreu então ao STF (Supremo Tribunal Federal). Sem sucesso. Em 2017, o tribunal rejeitou o recurso apresentado pelo clube carioca e confirmou o Sport como único campeão. A decisão já transitou em julgado, o que significa que os cariocas não têm direito a recurso. Agora, eles tentam fazer com que ambos os clubes sejam reconhecidos campeões nacionais daquele ano. O segundo processo corre na 8ª Vara Cível da Justiça do Rio de Janeiro. O Flamengo argumenta que, desde que a CBF decidiu pela unificação dos títulos nacionais anteriores à criação do Campeonato Brasileiro (1971), com o reconhecimento da Taça Prata e da Roberto Gomes Pedrosa como válidos na conta do número de títulos do Nacional, há a possibilidade de se haver mais de um campeão em um único ano.
É óbvio e fato que o Flamengo jogou contra os principais times do Brasil e venceu. Foi campeão, na bola, de uma competição de nível. Moralmente campeão, joga contra o Flamengo o fato de Eurico Miranda ter assinado o documento com a CBF como representante do Clube dos 13, que representava o Rubro-Negro. Fato este que é sempre considerado o fator decisivo nos julgamentos.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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