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Opinião da Gazeta

População paga duas vezes por acúmulo ilegal de cargos

Mesmo que os Executivos pleiteiem indenização para ressarcir os cofres públicos, nada paga pelos danos aos cidadãos que ficaram sem os serviços

Publicado em 27 de Junho de 2018 às 13:24

Públicado em 

27 jun 2018 às 13:24

Colunista

Ministério Público: remuneração bruta do subprocurador chega a R$ 39,2 mil Crédito: Vitor Jubini

É estarrecedora a notícia de que, há 28 anos, um médico pode estar dilapidando o patrimônio público capixaba. O profissional foi denunciado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por ocupar até oito cargos em diversas cidades do Sul e também no funcionalismo do Estado. Os casos listados de improbidade remontam a 1990, quando havia dois contratos com a prefeitura de Vargem Alta. As investigações do MP constataram conflitos de horários, datas e atividades.

Se comprovado, seria um enorme desrespeito ao bem público e aos cidadãos, somando-se ao rol de outros 132 casos apurados pela Corregedoria-Geral do Estado de servidores que acumulam mais cargos públicos do que a lei permite. Entre as condutas investigadas, três médicos ocupavam de três a quatro postos, com carga-horária que ultrapassava as 80 horas semanais.

A população, que sofre diariamente com a superlotação e a falta de médicos em hospitais e unidades de saúde, não deveria ter que arcar com a falta de fiscalização dos órgãos competentes. Como é possível que um caso arraste-se por quase três décadas, sem o devido controle dos Executivos, dos tribunais de contas? Mesmo que seja provado que não houve ilegalidade, o sinal de alerta deveria ter sido ligado há anos.

O acúmulo ilegal de cargos, além de corroer os cofres públicos, prejudica diretamente o atendimento à população. Cidades e Estados lidam com o cobertor curto para bancar o funcionalismo, por isso eventuais contratos ilegais – em que os profissionais não cumprem a carga-horária determinada – são tão ultrajantes. Não há justificativa decente: ou gastam mais para tapar os buracos deixados por servidores ausentes ou deixam a população sem médico.

É preciso rigor na fiscalização, porque o mal é irreparável. Mesmo que os Executivos pleiteiem indenização para ressarcir os cofres públicos, nada paga pelos danos à saúde dos cidadãos que ficaram por décadas sem o devido atendimento, mesmo que tenham pago por ele. A conta vem dobrada. 

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