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Meio ambiente

Pó preto é um problema de todos nós!

Todos somos culpados em alguma escala. Precisamos pôr em prática as responsabilidades individual e social

Publicado em 22 de Maio de 2018 às 18:43

Públicado em 

22 mai 2018 às 18:43

Colunista

Pó Preto em Vitória
Israel Pestana Soares*
Que a poeira que sedimenta nas ruas, carros e casas dos cidadãos da Grande Vitória incomoda todos nós sabemos! O incômodo vem de maneiras distintas: primeiro, pelo estresse psicológico de ter que limpar a casa diversas vezes ao dia; segundo, pelos desfechos hospitalares relacionados aos problemas respiratórios; e, por último, não menos importante, os problemas ambientais como redução da visibilidade, desgaste de edifícios, monumentos e obras de arte, injúrias à vegetação, alterações no clima etc.
Mas o que é o pó preto? Trata-se de um poluente atmosférico conhecido como material particulado (MP). O MP é composto tanto de partículas de granulometria grosseira que sedimentam até centenas de metros após sua emissão quanto de partículas finas que adentram profundamente o sistema respiratório, atingindo os alvéolos pulmonares e desencadeando uma série de processos inflamatórios como rinite, sinusite, bronquite, asma, entre outros. Os grupos mais afetados são fetos, crianças abaixo dos cinco anos de idade e idosos acima de 60 anos. A sua cor varia de um marrom escuro a negro. Por isso o nome pó preto.
Quem é o grande culpado pelo pó preto?
A pergunta que estamos fazendo há alguns anos está errada. Não devemos perguntar e apontar quem é o principal ator culpado pelo pó preto
Existem diversas fontes emissoras de MP na Grande Vitória: as indústrias, a construção civil, o tráfego de veículos, os portos, aeroportos, as áreas residenciais, o mar e a vegetação. Todas essas fontes emissoras contribuem, em diferentes proporções, para o aumento dos níveis de concentração desse poluente. Portanto, não é difícil compreender essa afirmação: O pó preto é um problema de todos nós!
A pergunta que estamos fazendo há alguns anos está errada. Não devemos perguntar e apontar quem é o principal ator culpado pelo pó preto. Qual a necessidade de promover estudos para apontar que o setor A é responsável por 35,89% das contribuições, enquanto o setor B é responsável por 21,99%? A pergunta que devemos fazer é para nós mesmos. Eu, como indivíduo responsável por minhas ações: “o que eu posso fazer para reduzir o pó preto que tanto incomoda e faz mal a saúde?”.
Todos somos culpados em maior ou menor escala. Precisamos colocar em prática dois importantes valores: responsabilidade individual e responsabilidade social. São as pessoas que trabalham nos diversos ramos do terceiro setor, os representantes da agência ambiental e a sociedade civil unidos que irão conversar, apresentar planos e estratégias para vencer e solucionar o problema.
Enquanto quisermos apontar culpados, não caminharemos na solução do problema. É necessário que o Plano Estadual de Qualidade do Ar tenha ações de curto, médio e longo prazo. Devemos tratar o problema com ferramentas de planejamento e gestão. Devemos ter transparência nas informações que são geradas para diagnóstico do problema e planejamento de ações efetivas. A Rede Automática de Monitoramento da Qualidade do Ar deve fornecer dados para a população e servir como ferramenta de gestão para a Seama e Iema.
Todos juntos contra o pó preto, um problema de todos nós!
*O autor é especialista em qualidade do ar

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