2020 começa com ótima expectativa econômica para o Espírito Santo. Espera-se crescimento superior ao do Brasil. Segundo documento postado pelo Ideies em seu site , a LCA Consultores estima expansão de 5,2% do PIB capixaba em 2020.
O número enche os olhos, e vem com a seguinte explicação: ocorrerá "devido à baixa base de comparação em relação a 2019, e pela alta da atividade extrativa". De fato, 2019 foi praticamente perdido para a economia. O Ideies ressalta que essa mesma consultoria estima crescimento próximo a zero em 2019 no Espírito Santo, influenciado principalmente pela retração da indústria.
Também vale lembrar que o Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo caiu 1,8% no terceiro trimestre de 2019, ante o trimestre anterior. Este é o dado mais recente. Comparando-se o acumulado de janeiro a setembro de 2019 com o mesmo período de 2018, o movimento do PIB ficou em 0%. No cotejo entre o últimos quatro trimestres e os quatro trimestres imediatamente anteriores, vê-se avanço de apenas 0,5%, conforme apurado pelo Instituto Jones dos Santos Neves.
Salto de 5,2% é ritmo quase chinês. De onde virá tanta força? A resposta, no boletim do Ideies, cita a possível reativação da Samarco (embora a data prevista no cronograma seja o final de 2020) e o comércio internacional, num cenário de avanço positivo nas tratativas do acordo comercial entre EUA e China.
O meio empresarial capixaba aposta no bom ambiente de negócios instalado no território capixaba para auxiliar o PIB em 2020. Aqui, observam-se importantes medidas estruturantes, como a criação do Fundo Soberano e do Fundo de Infraestrutura. Sobressai-se também o equilíbrio das contas públicas, reconhecido pela Secretaria do Tesouro Nacional desde 2012. São diferenciais competitivos.
E o PIB brasileiro? Como será o desempenho em 2020? Para o Banco Central, a economia do país crescerá 2,2%. É a mesma estimativa feita pela Fundação Getúlio Vargas e pela Confederação Nacional do Comércio e Serviço (CNC). Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) projeta 2,3%, e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) não deixa por menos: diz que o avanço do PIB será de 2,5% neste ano. Qualquer um desses resultados será o melhor dos últimos três anos, que acumulam três pibinhos (2017, 2018 e 2019, que deve ter ficado em torno de 1,2%).
Esse quadro de palpites expressa otimismo, mas deve-se ter presente que neste ano, novamente, o Brasil deverá crescer menos do que a média mundial. A expansão do PIB global atingirá 2,9%, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE). Ou 3%, de acordo com o FMI. O Brasil ainda não eliminou sequelas de sua pior recessão, vivida entre 2014 e o primeiro trimestre de 2017.