Uma área de 415 hectares que era promessa de ser um grande celeiro de investimentos, empregos, renda, arrecadação de impostos e desenvolvimento está abandonada. Palhal, na zona rural de Linhares, foi o local definido e comprado pelo governo do Estado para a instalação do Polo Gás-Químico da Petrobras lá em 2012, mas passados seis anos nada mudou na região e, por enquanto, não há qualquer perspectiva de que esse quadro seja revertido.
A desistência desse projeto, que era chamado pela estatal de UFN-IV, não é nenhuma novidade, já que desde o seu anúncio ele entrou e saiu do Plano de Negócios inúmeras vezes e, em 2015, o então presidente da petrolífera Aldemir Bendine declarou que o polo estava fora das prioridades da companhia, informação que foi reforçada posteriormente pela Petrobras na gestão de Pedro Parente.
Mas mesmo com o empreendimento, de US$ 4 bilhões, tendo sido descartado, três anos depois tudo continua na mesma. E a área, desapropriada pelo governo do Estado a um custo, à época, de cerca de R$ 10 milhões, permanece sem finalidade. A falta de utilização tem feito, inclusive, com que o espaço vire alvo de ocupações de famílias que integram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A mudança de estratégia da Petrobras ao abandonar projetos em áreas como a de fertilizantes para focar na exploração e produção do pré-sal tirou o investimento mais robusto, do ponto de vista econômico, anunciado na última década para o Espírito Santo e deixou para o governo do Estado apenas o ônus.
Por mais que a área, que equivale a mais de 400 campos de futebol, tenha sido devolvida pela Petrobras e continue sendo propriedade do Estado, em época de recursos escassos, esse dinheiro podia ter destino mais concreto.
Aliás, é isso que o Estado vem buscando junto à estatal, mas o ritmo para as partes chegarem a uma solução para o impasse não tem sido muito favorável.
O secretário de Estado de Desenvolvimento, José Eduardo Azevedo, explica que o governo está atrás de alternativas para resolver o “prejuízo” capixaba e conta que já foram realizadas algumas reuniões junto à diretoria da companhia.
“Entendemos que a Petrobras tem um débito por conta de um projeto que não foi para frente. Estamos trabalhando com duas opções: a primeira é buscar outro negócio para o local, seja da Petrobras diretamente ou da estatal com alguma parceira; e a segunda é o ressarcimento do valor investido nas desapropriações.”
Entre os negócios potenciais em substituição ao polo estão, segundo Azevedo, unidades de geração termelétrica e de processamento de gás ou projetos na área de energia renovável. Até o momento, entretanto, não há nenhuma sinalização de que há interesse da Petrobras em atender os pleitos do Espírito Santo.
A expectativa do governo é que até dezembro essa situação se desenrole. Já a Petrobras não prevê datas nem demonstra tanto otimismo. Informa apenas que as condições para devolução do terreno estão sendo avaliadas e que o contrato assinado com o governo não impõe qualquer penalização por não ter usado o espaço.
Ao que tudo indica, a petrolífera não está disposta a ressarcir os cofres públicos e, pelo que consta em seus planos de negócios, tampouco investir em um projeto em Linhares. Se o governo do Estado quer gerar uma atividade econômica para essa área, tá na hora de olhar para outros atores.
PLANTAS REATIVADAS
A greve dos caminhoneiros, que durou 12 dias em maio, não trouxe impactos para os resultados da Vale no segundo semestre. A mineradora bateu vários recordes, entre eles o da produção de pelotas, com 12,8 milhões de toneladas, marca alcançada graças à retomada das plantas de pelotização I e II de Tubarão. As usinas voltaram a operar em maio e janeiro deste ano, respectivamente.
SE SENTINDO NO PARAÍSO
Uma multinacional norueguesa que atua no setor de petróleo e gás fechou suas portas no Rio de Janeiro e veio de mala e cuia para o Espírito Santo. A sede, que ficava em Bangu entre duas favelas, agora está localizada no Civit II, na Serra. Além da busca por segurança, o empreendedor contou que estava atrás de um bom ambiente de negócios. Por enquanto, ele diz não estar arrependido.

Vem ganhando espaço nos condomínios da Grande Vitória os bazares do WhatsApp. Há um movimentado comércio entre a vizinhaça, que negocia de tudo: tem marmita, móveis, roupinhas de bebê e até calculadora científica.

Mesmo em meio a um cenário que exige arrocho nas contas, as prefeituras de Bom Jesus do Norte, Marechal Floriano e Ibitirama expandiram os gastos com custeio em mais de 20%, conforme dados da Aequus Consultoria.