Sob o impacto da demonstração efetiva de que somos um povo especial, que brinca sem se desligar de tudo, com ou sem dinheiro, ainda assim não nos distraímos dos problemas visíveis na sociedade. A impressão é que, mesmo durante essas férias sabáticas, o brasileiro não relegou atenção aos problemas do país. As críticas pertinentes às nossas mazelas generalizadas brotaram espontaneamente da sabedoria popular.
Os blocos de rua nunca foram tantos e tão repletos de foliões dispostos a se divertir, mesmo que aparentemente desligados da vida real. Foliões e organizadores dos festejos são credores dos aplausos dos brasileiros pela sua criatividade nas escolhas e apresentação de suas críticas sempre pertinentes. Eles exibiram uma força superior àquela que nos afoga diariamente.
O carnaval foi lindo. Aqui, tivemos uma das folias mais alegres e frequentadas do país. Esta força interior que nos impulsionou espontânea e entusiasticamente merece nossas reverências.
Esse exemplo de garra atingiu o seu ponto maior quando os blocos desfilaram com especial galhardia, pessoal e coletiva, e sem recursos dos governos para pular e dançar alegres e imponentes pelas avenidas.
A criatividade dos enredos não omitiu das críticas o paradoxal antagonismo existente entres as leis e os corporativismos políticos que se autoprotegem em qualquer circunstância.
O espetáculo nos fez apreciar uma força nova, pujante e espontânea, nas escolas de samba. Certamente, esse foi um espetáculo fantástico. Um espetáculo que o Brasil exporta e faz inveja a nível internacional.
Passada a folia, é bom voltarmos a cuidar do real, pois o sonho já passou, e é tempo de recuperarmos a agenda que esteve de folga durante a folia. Precisamos recomeçar com o mesmo bravo ímpeto que o carnaval nos ofereceu.
Assim, é propício cobrarmos em seguida o resultado do encontro entre o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, com o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), para dar as primeiras explicações sobre a entrevista concedida à agência Reuters. Afinal, não se trata de invasão à autonomia de poderes. Mas também devemos cobrar da agência o motivo do seu estranho pedido de desculpas.
Será imprescindível também fiscalizar de que forma serão arrebanhados e quanto custarão os votos necessários para alterar a legislação previdenciária. Urge também enfatizar a necessidade de “reaprovar” a questão da Ficha Limpa, uma imposição pública dos brasileiros aos congressistas.
Por fim, mas não por último, é oportuno mantermos clara a decisão já adotada de penalizar os criminosos após prolatada a sentença de segunda instância, para que os processos não prescrevam antes das penas.
Apenas um derradeiro: precisamos acabar com esse tal de foro privilegiado, pois devemos praticar o princípio democrático de que todos são iguais perante a lei.
*O autor é empresário