As últimas semanas trouxeram para Vitória impasses absolutamente desnecessários que têm reflexos diretos no desenvolvimento da cidade. O primeiro deles se refere à decisão da Câmara Municipal de aprovar uma emenda que descaracteriza o projeto do Parque Tecnológico ao permitir que na área a ele destinada sejam construídas também lojas e residências. O segundo impasse se refere à equivocada reação de alguns líderes comunitários à criação da Linha Verde em Camburi.
No caso do Parque Tecnológico, trata-se de um sonho acalentado por mais de 20 anos, o de transformar a capital do Estado em um polo de inovação e economia criativa. Desde o “Vitória do Futuro”, o primeiro planejamento estratégico da cidade realizado em 1996 – quando Paulo Hartung era prefeito –, a cidade escolheu como sua vocação abrigar empresas de alta tecnologia e prestadoras de serviços, já que a pequena dimensão do seu território e o adensamento populacional não admitem instalações de indústrias.
Os planejamentos estratégicos que se sucederam desde então reafirmaram este propósito, sendo que o mais recente deles, o de 2014, cita explicitamente a implantação do Parque Tecnológico e o seu propósito: “Contribuir com o desenvolvimento sustentado e competitivo da sociedade do conhecimento”. Com a recente decisão da Câmara, o projeto fica comprometido porque as empresas estão desistindo de se implantar no local, segundo informação do Sindicato das Empresas de Informática do Espírito Santo.
Já a Linha Verde, um corredor exclusivo para o transporte coletivo na Avenida Dante Michelini, em Camburi, está sendo criticada exatamente por quem deveria defendê-la, que são alguns líderes comunitários de bairros próximos. Até um juiz se prestou a suspender os seus efeitos alegando que a sua criação não foi precedida de um debate com a população. Felizmente, a esdrúxula decisão foi revogada por outro juiz que teve o bom senso de considerar que, além da Linha Verde constar do Plano de Mobilidade Urbana da cidade – que foi amplamente discutido com a população –, o transporte coletivo, em qualquer lugar do mundo, tem prioridade sobre o transporte individual.
A implantação da Linha Verde agora parece bem encaminhada, já que a liminar que a impedia deixou de vigorar. Mas é preciso que os líderes comunitários decidam ficar ao lado da maioria dos munícipes que são os usuários do transporte coletivo. Quanto ao Parque Tecnológico, fica a esperança de que os vereadores venham a reconsiderar a sua decisão e aprovem o veto que o prefeito certamente fará à emenda que descaracterizou o projeto do PDU.
*O autor é jornalista