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José Carlos Corrêa

Parque Tecnológico e Linha Verde: Vitória precisa avançar

Dois impasses desnecessários em Vitória: um é a Câmara Municipal descaracterizar o projeto do Parque Tecnológico; o outro é a reação da cidade à Linha Verde

Publicado em 06 de Abril de 2018 às 15:53

Públicado em 

06 abr 2018 às 15:53
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa
Linha verde, na orla de Camburi, em Vitória Crédito: Ricardo Medeiros

As últimas semanas trouxeram para Vitória impasses absolutamente desnecessários que têm reflexos diretos no desenvolvimento da cidade. O primeiro deles se refere à decisão da Câmara Municipal de aprovar uma emenda que descaracteriza o projeto do Parque Tecnológico ao permitir que na área a ele destinada sejam construídas também lojas e residências. O segundo impasse se refere à equivocada reação de alguns líderes comunitários à criação da Linha Verde em Camburi.

No caso do Parque Tecnológico, trata-se de um sonho acalentado por mais de 20 anos, o de transformar a capital do Estado em um polo de inovação e economia criativa. Desde o “Vitória do Futuro”, o primeiro planejamento estratégico da cidade realizado em 1996 – quando Paulo Hartung era prefeito –, a cidade escolheu como sua vocação abrigar empresas de alta tecnologia e prestadoras de serviços, já que a pequena dimensão do seu território e o adensamento populacional não admitem instalações de indústrias.

Os planejamentos estratégicos que se sucederam desde então reafirmaram este propósito, sendo que o mais recente deles, o de 2014, cita explicitamente a implantação do Parque Tecnológico e o seu propósito: “Contribuir com o desenvolvimento sustentado e competitivo da sociedade do conhecimento”. Com a recente decisão da Câmara, o projeto fica comprometido porque as empresas estão desistindo de se implantar no local, segundo informação do Sindicato das Empresas de Informática do Espírito Santo.

Já a Linha Verde, um corredor exclusivo para o transporte coletivo na Avenida Dante Michelini, em Camburi, está sendo criticada exatamente por quem deveria defendê-la, que são alguns líderes comunitários de bairros próximos. Até um juiz se prestou a suspender os seus efeitos alegando que a sua criação não foi precedida de um debate com a população. Felizmente, a esdrúxula decisão foi revogada por outro juiz que teve o bom senso de considerar que, além da Linha Verde constar do Plano de Mobilidade Urbana da cidade – que foi amplamente discutido com a população –, o transporte coletivo, em qualquer lugar do mundo, tem prioridade sobre o transporte individual.

A implantação da Linha Verde agora parece bem encaminhada, já que a liminar que a impedia deixou de vigorar. Mas é preciso que os líderes comunitários decidam ficar ao lado da maioria dos munícipes que são os usuários do transporte coletivo. Quanto ao Parque Tecnológico, fica a esperança de que os vereadores venham a reconsiderar a sua decisão e aprovem o veto que o prefeito certamente fará à emenda que descaracterizou o projeto do PDU.

*O autor é jornalista

 

José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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