O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado no início da década 1990 pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen. O propósito dessa medida é proporcionar um contraponto ao indicador do Produto Interno Bruto (PIB), até então amplamente utilizado para comparar o “desenvolvimento” das nações.
Desde a sua concepção, o IDH vem sendo utilizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com o objetivo de analisar os diferentes contextos dos países em uma perspectiva ampliada de desenvolvimento. No cálculo do IDH são considerados indicadores intermediários de renda, saúde e educação. O índice sintético do IDH varia de 0 a 1. Quanto maior o valor, melhores são as condições de desenvolvimento humano.
O relatório de 2019 do PNUD evidenciou que o IDH do Brasil aumentou apenas 0,001 na comparação estabelecida entre os anos 2017 e 2018. Nesse último ano, o IDH brasileiro foi de 0,761. Esse resultado revela que o país está com o desenvolvimento humano estagnado. Com essa condição, o Brasil perdeu uma posição no ranking mundial que considera 189 nações, caindo da 78ª classificação em 2017 para 79ª em 2018. Próximo dessa faixa de IDH estão México (IDH: 0,767; 76ª posição), Tailândia (IDH: 0,765; 77ª classificação) e Granada (IDH: 0,763; 78ª posição). A Noruega é o país com o maior IDH (0,954). Enquanto isso, o Níger (0,377) é a nação que apresenta a pior situação de desenvolvimento humano.
Por mais que o Brasil tenha alcançado pequenos avanços nos últimos anos nos indicadores de renda e saúde (esperança de vida ao nascer), os resultados no campo da educação são preocupantes. A média de anos de estudos dos brasileiros é de 7,8 anos, o que equivale ao ensino fundamental incompleto. Na Noruega, essa média é de 12,6 anos, ou seja, quase o dobro do indicador brasileiro. A educação pode ser entendida como um catalisador para o progresso e desenvolvimento das nações. É um fator de transformação na vida dos cidadãos, pois amplia as oportunidades de prosperidade socioeconômica.
A desigualdade é outro elemento que destaca o atraso do Brasil, bem como sua dificuldade em se desenvolver. Se considerarmos o IDH ajustado a partir de desigualdades nas áreas da saúde, educação e renda, constatamos que o país, com índice de 0,574, cai 23 posições no ranking mundial. Segundo o relatório do PNUD, o Brasil fica no topo da lista da desigualdade de distribuição de renda. Com base em dados de 2015, 28% da renda do país estava concentrada nas mãos de 1% da população. Somente o Catar supera esse percentual de concentração (29%). No Brasil, os 10% mais ricos receberam mais de 40% da renda gerada naquele ano.
Nesse sentido, os gargalos da educação e a desigualdade socioeconômica constituem desafios históricos que concorrem para destacar negativamente o Brasil diante da opinião pública internacional. O desenvolvimento do país depende que esses desafios sejam suplantados.