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Vitor Vogas

Oposição a Paulo Hartung se apodera do plenário da Assembleia

Majeski, Da Vitória, Euclério e Freitas realizam ataque coordenado, e deputados governistas não reagem

Publicado em 13 de Março de 2018 às 14:55

Públicado em 

13 mar 2018 às 14:55
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Plenário da Assembleia Legislativa, onde a oposição ao governo Paulo Hartung (PMDB) tem ganhado terreno Crédito: Tati Beling
A oposição ao governo Paulo Hartung (PMDB) definitivamente tomou conta do plenário da Assembleia Legislativa. Embora em absoluta minoria numérica, o quarteto formado por Sergio Majeski (de saída do PSDB), Euclério Sampaio (PDT), Freitas (PSB) e Da Vitória (PPS) está dominando completamente as discussões no Parlamento capixaba.
Na sessão plenária desta segunda-feira (12), algo inédito chamou a atenção. Até pouco tempo atrás, apesar de algumas afinidades e de serem obviamente ligados pelo fato de se oporem ao governo, esses quatro não aparentavam agir de maneira coordenada. Faziam oposição de modo avulso, cada um por sua própria conta.
Nesta segunda, no entanto, ficou muito evidente uma ação integrada entre os quatro logo na primeira fase da sessão. Um a um, Majeski, Euclério, Freitas e Da Vitória subiram à tribuna, nesta ordem, para massacrar o governo Paulo Hartung. E os quatro seguiram o mesmo script: levaram, exibiram e comentaram a capa da edição da véspera de A GAZETA (“Estado tem mais de 50 mil alunos fora da sala de aula”), trechos de outras reportagens e o comentário de um jornalista nacionalmente renomado criticando, de maneira impiedosa, as imagens de crianças e acompanhantes espalhados pelo chão de um corredor do Hospital Infantil de Vila Velha. As falas foram complementares e, em alguns pontos, até redundantes. Foi uma verdadeira blitz da oposição na Casa.
Exemplo: tanto Euclério quanto Freitas e Da Vitória se somaram a Majeski em uma bandeira sempre hasteada pelo deputado tucano. Em sequência, todos questionaram o fechamento de 42 escolas estaduais e de mais de 6 mil turmas por parte da Secretaria de Estado de Educação desde 2015. Os números sempre são levados por Majeski. Dessa vez, foram repetidos pelos outros três. Freitas falou do “fechamento inescrupuloso de escolas e salas de aula”.
Reação da base. Ou não
Enivaldo dos Anjos tem se encarregado de rebater falas de opositores Crédito: Tonico/Ales
Diante desse ataque em massa, os deputados da base ficaram atônitos? Não! Exceção feita à postura de Enivaldo dos Anjos (PSD) – que incorporou o papel de xerife em defesa do governo no plenário –, a indiferença continua sendo a tônica na base. Ou estão fazendo corpo mole, ou simplesmente não estão nem aí. A inércia quase geral no momento em que a oposição nunca esteve tão forte no plenário lança sérias dúvidas sobre o real comprometimento da grande maioria dos integrantes da "base" com a defesa do atual governo.
Fica mais e mais nítido que essa base na verdade é circunstancial, formada quase que por força da gravidade, isto é, do "adesismo" natural que puxa os deputados para perto do poder por uma questão de sobrevivência política ("hay gobierno, estou dentro"). Desse modo são prestigiados pelo Executivo e têm o que mostrar às suas bases. Mas, conforme se aproxima o período eleitoral e, com isso, a tensão cresce em plenário, quase ninguém ali parece interessado em tomar o partido do governo Paulo Hartung publicamente em discussões polêmicas que envolvem, por exemplo, problemas na prestação de serviços essenciais.
Liderança muda
Torcendo para voltar para a Casa: Jamir Malini (PTN) espera que um dos deputados do PP seja eleito. "Gostaria de voltar, iria ajudar mais a cidade da Serra." Jamir Malini (PTN), ex-deputado estadual Crédito: Reinaldo Carvalho/Ales
A sessão de ontem teve dois episódios que quase passaram despercebidos, mas que demonstram isso cabalmente:
Primeiro, logo após o pronunciamento de Da Vitória (o quarto e último da fila) disparando críticas pesadas ao governador, o orador seguinte inscrito era Jamir Malini (PP). Ninguém menos que o vice-líder do governo. Acreditem: ele declinou de usar a palavra! Da Vitória acabara de concluir o seu discurso praticamente decretando a derrota eleitoral de Paulo Hartung: “Pelo menos temos um alento: o atual governo está chegando no final”. O vice-líder do governo estava inscrito para discursar. Mesmo ouvindo tais palavras, preferiu declinar da fala.
Quanto ao líder do governo em plenário, Rodrigo Coelho (PDT), nem sequer estava lá. Marcou presença no início dos trabalhos, mas logo depois se retirou e não voltou mais para a sessão.
Amigo ou inimigo?
"Agradeço pela recordação do meu nome, fruto da força do meu trabalho na Assembleia, atento ao município." Marcelo Santos (PMDB)deputado estadual Crédito: Reinaldo Carvalho/Ales
O segundo detalhe é revelador de como integrantes da base só estão comprometidos com o atual governo até certo ponto (um ponto ditado pelos próprios interesses): assim que acabou de chamar Jamir Malini à tribuna e de ouvir sua desistência, Marcelo Santos, que presidia a sessão, tentou contemporizar e, muito timidamente, ensaiou fala em defesa do governo. Mas pasmem: na mesma fala, criticou o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito Santo (DER-ES), Enio Bergoli (PSDB), dizendo que ele “comete vários erros”:
“Volto a reiterar as ações positivas que o governo do Estado tem feito em prol da população capixaba. E é claro: todo governo, seja aqui ou em qualquer lugar do mundo, tem erros. Mas os acertos são bem maiores que os erros. E pode ter certeza que os erros cometidos, em sua maioria, são promovidos por aqueles que foram delegados a função lá na ponta, como secretários, diretores… Como por exemplo o diretor-geral do DER-ES, que comete vários erros.”
Ou seja, quem tem aliados assim…
Perdendo a batalha
O resultado: no seu estilo bom de briga, Enivaldo ficou vendido, como um “John Wayne do Noroeste”, isolado na defesa do governo. Como se empunhasse uma pistola em cada mão, enfrentou os quatro de uma vez de sua trincheira: a tribuna.
É pouco. Como disse o próprio governador Paulo Hartung a Da Vitória no plenário, durante sua prestação de contas aos deputados no último dia 28, os oposicionistas estão fazendo “luta política” no plenário (implicitamente, visando às eleições). É verdade. Mas isso vale para todos ali. Seja por qual trincheira for, todos, governo e oposição, estão na luta política o tempo todo. A oposição para chegar lá. O governo para não sair. Em lados opostos, porém na mesma luta.
Por ora, porém, pelo menos no campo discursivo, o da luta política travada com as armas da retórica, a base está sendo atropelada ali dentro do plenário da Assembleia. As consequências práticas disso para o governo podem ser mínimas, assim como o alcance das discussões feitas ali. Afinal, com a Casa meio desmoralizada e a população saturada da política e dos políticos, os debates parlamentares ecoam cada vez menos na sociedade. Além disso, no que mais tem efeito prático, as votações, o governo, aí sim, faz valer a sua força numérica e sempre consegue aprovar tudo o que deseja em plenário.
Dito isso, mesmo que tais debates repercutam muito pouco para além do Parlamento, a oposição tem dado de goleada nos limites daquele campo de batalha. Apoderou-se do território e ocupou-o, com apenas quatro soldados.
Ou o governo reforça a tropa e põe mais homens no front legislativo, ou vai ficar sangrando no plenário até a eleição
NOTAS
 A OPOSIÇÃO 
Moção de repúdio
O governador Paulo Hartung debate com o deputado Sergio Majeski durante prestação de contas na Assembleia Legislativa Crédito: Reinaldo Carvalho/ALES
Sergio Majeski contestou o fato de Paulo Hartung ter sido homenageado pelo governo federal na semana passada, recebendo uma honraria do presidente presidente Michel Temer por seus serviços prestados à educação. E disse que entrou com uma moção de repúdio ao MEC por conta da homenagem. “Não tem como entender que o Ministério da Educação faça homenagem ao governador de um Estado que expulsa crianças e adolescentes de escolas, fechando 42 escolas e 6.300 turmas. (...) Temos aqui uma calamidade, um crime cometido contra as crianças e adolescentes deste Estado.”
“Escolinhas de araque”
Na prestação de contas, o governador Paulo Hartung afirmou a Majeski que essa discussão não pode ser tratada como tabu. “Só é tabu para quem nunca governou nada.” Segundo Hartung, para a melhoria da educação pública, é muito melhor construir escolas de verdade do que manter “escolinhas de araque”. E é isso, segundo ele, que o governo está fazendo.
Da Vitória: Cais das Artes
Além de reiterar os números da evasão escolar, Da Vitória bateu nas obras do Cais das Artes: “Uma ideia de vaidade desse governo. E esse dinheiro poderia estar sendo investido em educação”. Chamou de “homenagem fajuta” o prêmio concedido pelo MEC a Paulo Hartung.
Flávia Mignone
A marqueteira Flávia Mignone tem assessorado Da Vitória e foi vista nos últimos dois eventos do PPS dos quais o deputado participou: seu ato de filiação ao partido, na última terça-feira (6), e o congresso estadual do PPS, no último sábado (10). Nessa ocasião, falou que o “Cais das Artes foi capricho de uma família”. Nesta segunda-feira (12), Da Vitória leu o seu discurso da tribuna. Só para lembrar: Flávia Mignone foi responsável pela campanha de Renato Casagrande ao governo em 2014.
Freitas ressentido
Deputado Eustáquio de Freitas questionou fechamento de escolas e turmas Crédito: Reinaldo Carvalho/Ales
Em sua recente prestação de contas aos deputados no plenário, ao debater com Freitas, Hartung disse ao deputado (do partido de Renato Casagrande) que ele está cego pela paixão política e que precisa usar um óculos “daqueles bifocais”. Freitas parece ter ficado com isso engasgado. Nesta segunda-feira (12), enquanto discursava sobre os problemas no Hospital Infantil, discursou: “Será que é o deputado Freitas que está cego? Será que é o deputado Freitas que precisa comprar um óculos para enxergar melhor? Será que nós estamos descobrindo as farsas da gestão fiscal pela gestão fiscal? (…) Quem é que está cego, governador? Eu, o Freitas, que preciso comprar óculos? (...) É uma gestão econômica que visa exclusivamente o econômico.”
Porta-voz de Casagrande
Ou seja, o aliado maior de Casagrande no plenário está reproduzindo o discurso do possível candidato a governador.
 A BASE 
Defesa tímida
Além de Enivaldo, os únicos que se dispuseram a balbuciar alguma coisa em defesa do governo foram Hércules Silvera, José Esmeraldo e Marcelo Santos, os três do PMDB. Mesmo assim, muito discretamente.
Interrompendo a blitz da oposição, José Esmeraldo subiu à tribuna depois de Freitas e, logo no início do discurso, anotou de passagem: “O governo vai pagar o retroativo dos professores. Isso é importante, porque não adianta chegar aqui e falar só mal do governo. Vamos falar também o que o governo tem feito de bom. E na verdade o governo também tem feito muita coisa boa. Essa é que é a verdade. E não é fácil governar um Estado. E o governador Paulo Hartung tem governado o Estado muito bem”.
“A lei é frouxa”. A defesa também
Deputado José Esmeraldo repetiu seu bordão: "A lei é frouxa!" Crédito: Reinaldo Carvalho/Ales
Logo em seguida, Zé Esmeraldo partiu para sua verdadeira pauta e fez o mesmo surrado discurso que faz há anos, criticando a “frouxidão” do Estado com criminosos e repetindo o seu bordão: “A lei é benevolente! A lei é frouxa!”.
Desta vez, Esmeraldo se superou: “Tem que fazer aqui igual fazem lá no Iraque. Igual fazem em outros países aí: China, Coreia do Norte etc.” Realmente, “ótimos” exemplos.
Desafio
A propósito, está lançado o desafio: será que Esmeraldo consegue fazer um discurso, só um, sobre segurança pública, sem repetir que “a lei é frouxa”?
Preocupações “maiores”
Deputado Hércules Silveira, o Doutor Hércules, falou que governo adquiriu mais leitos Crédito: A Gazeta | Arquivo
“Temos também que reconhecer as coisas boas”, declarou Hércules Silveira, destacando o aumento do número de leitos do Hospital Infantil de Vila Velha durante do governo Paulo Hartung. Em seguida, voltou-se a outras prioridades: falar de sua participação em eventos, incluindo um seminário alusivo à Semana Mundial do Rim e o passeio ciclístico inaugural do “Bike VV”, no último domingo (11).
CENA POLÍTICA
Apesar da tensão reinante, a sessão desta segunda-feira na Assembleia, também teve momentos de descontração. Conduzindo a sessão no lugar do presidente (Erick Musso), o vice-presidente, Marcelo Santos (PMDB), adora gozar dos colegas e não perde uma piada. Quando Majeski se encaminhava para ocupar a tribuna, logo no início da sessão, chamou-o de “líder da oposição”. O cargo não existe, mas a expressão foi lançada pelo próprio Marcelo há cerca de um ano, e pegou entre os deputados.
Depois de Majeski discursar, foi a vez de Euclério Sampaio. No caminho para a tribuna, Euclério trocou uma ideia com Majeski. Marcelo não perdeu a chance: “Agora fará uso da palavra o vice-líder da oposição, Euclério Sampaio. Ele se dirige à tribuna. Antes, escuta o líder da oposição (Sergio Majeski), que está sugerindo algumas ações.”
Nisso, Da Vitória falou fora dos microfones: “Tem oposição de esquerda e de direita”.
Já após fazer seu discurso, o petista Padre Honório parou para apertar a mão de Marcelo junto à Mesa. “Sua bênção, meu padre!”, disse Marcelo ao microfone.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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