“Oposição com responsabilidade”, “sem ser burra” ou “ranheta”. Assim os deputados eleitos do PSL prometem se comportar em relação ao governo Renato Casagrande. A legenda é presidida, no Estado, pelo deputado federal Carlos Manato, derrotado pelo socialista nas urnas na disputa pelo Palácio Anchieta. Dos quatro futuros parlamentares, três são policiais, militares ou civis. E os afagos que o governador eleito tem feito, principalmente, à PM, não passam despercebidos. Caberá a Capitão Assumção a liderança da que será a maior bancada em uma Casa partidariamente fragmentada – como a coluna já calculou, a média será de 1,5 deputado por bancada. Mas a coligação de Casagrande elegeu a maioria. Dos 30 deputados que estarão na próxima legislatura, 17 ganharam a eleição fazendo parte do grupo que orbita o governador eleito.
“É melhor para os deputados do PSL terem um bom relacionamento com o governo do que se apegar ao Manato”, diz um colaborador próximo a Casagrande. “Afinal, o que eles teriam a ganhar fazendo uma oposição sistemática?”, questiona.
“O que for importante para os capixabas vamos votar a favor. Não vai ser oposição ranheta como no passado aconteceu com o PT”, diz Assumção, que já foi filiado ao PSB. Capitão da reserva da PM e acusado de participação na greve de fevereiro de 2017, ele diz que o governador eleito “age com sabedoria” ao acenar com uma anistia administrativa aos grevistas e com a revisão da lei de promoções de oficiais. “A anistia é nossa primeira prioridade (esse ponto, inclusive, foi aprovado na Câmara dos Deputados, ontem, após a conversa da coluna com Assumção). A revisão da lei de promoções, a segunda. Reajuste salarial é a terceira”, elenca o deputado eleito, que descreve Casagrande como “uma pessoa de debate” e “sereno”. Assumção, no entanto, é visto como uma figura um tanto instável pelo séquito de Casagrande.
Outro eleito pelo PSL para a Assembleia, o Coronel Quintino, tenente-coronel da Polícia Militar, defende uma “oposição pé no chão” ao governo. “Conheço o pessoal do governo, temos bom relacionamento”, diz. Um socialista afirma até que Quintino entrou para o PSL, antes da definição de que o partido teria candidato ao governo, com apoio de pessoas ligadas ao futuro governo. Já Quintino diz que está no PSL por “comungar com a ideologia do partido”.
Danilo Bahiense, que já foi do PR e vem de uma carreira na Polícia Civil, afirma que é preciso “dar um voto de confiança ao governador e ao secretariado dele”, apesar de o PSL “não estar do mesmo lado”.
Já o quarto futuro deputado do partido, o apresentador de TV Torino Marques, foi econômico nas palavras: “O meu mandato será alinhado com o direcionamento do PSL estadual e nacional. E o meu posicionamento será em benefício da população capixaba”.
Manato, por sua vez, diz que lembrou aos deputados eleitos que o PSL é oposição. “Não vamos influenciar porque a responsabilidade de pedir o voto em 2022 é deles. Só lembrei a eles que fomos colocados numa posição de oposição, mas que seja uma oposição responsável”.
Sem diálogo com o PRB
Sobre a possibilidade de o PSL fechar questão em torno do nome de Erick Musso (PRB) para a presidência da Assembleia, como a coluna registrou ontem no Gazeta Online, Capitão Assumção afirma que isso não está decidido: “Não tenho nem muito diálogo com o PRB. Me senti até prejudicado na coligação (durante a campanha eleitoral) porque fiquei numa chapa com candidatos com mandato”.
No caminho de Majeski
Ainda sobre a Mesa Diretora, o deputado estadual Enivaldo dos Anjos diz que, desta vez, não quer ser nem 1º nem 2º secretário, os cargos de mais prestígio depois da presidência. “Quarto secretário, talvez, se for preciso. Ou prefiro ficar no plenário. Quero seguir o caminho do (Sergio) Majeski, que arranjou muitos votos usando apenas a tribuna da Casa”, diz.
Retorno?
Movimentações do ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano Iranilson Casado não passaram despercebidas. Ele, que foi titular da pasta na gestão anterior de Casagrande, tem interesse em fazer parte da equipe do futuro governo. “Certamente farei uma contribuição no governo, mas não tem nada certo”, disse à coluna. Antes filiado ao PDT, Iranilson conta que agora está no PPS.
Briga em família
Tio da prefeita de Presidente Kennedy, Amanda Quinta, e ex-prefeito da cidade, Reginaldo Quinta acionou a Justiça Eleitoral em busca da cassação do mandato da sobrinha por abuso de poder econômico nas eleições de 2016. O juiz eleitoral Gil Vellozo Taddei julgou a ação improcedente.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.