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Nas Olimpíadas

Alison dos Santos repete ritual e vai à final dos 400 metros com barreiras

Com ele, Brasil tem chance de conquistar a primeira medalha na prova de velocidade e individual no atletismo desde 1988. Naquele ano, Robson Caetano foi bronze nos 200 metros

Publicado em 01 de Agosto de 2021 às 13:51

Agência FolhaPress

Publicado em 

01 ago 2021 às 13:51
Alison dos Santos, atletismo; 400m com barreiras
Alison dos Santos venceu sua semifinal dos 400 m com barreiras neste domingo Crédito: Julio Cesar Guimarães/COB
Alison dos Santos, 21, não mudou o que deu certo antes. Chegou ao Estádio Olímpico de Tóquio animado, com fones no ouvido e a escutar música. Não disse qual era. Na primeira qualificatória havia sido "Chama o teu vulgo malvadão", do MC Reizin, que ficou mais conhecida com a dança da skatista Rayssa Leal durante as Olimpíadas deste ano.
Quando as câmeras o mostraram antes da prova, ele ensaiou sambar e apontou para o nome. Repetiu o ritual e o resultado da qualificação inicial. O brasileiro venceu sua semifinal dos 400 m com barreiras neste domingo (1º) e está classificado para a disputa de medalha.
A final está marcada para 0h20 de terça-feira (3), pelo horário de Brasília. Alison é um dos favoritos à medalha, ao lado do norueguês Karsten Warholm e do americano Rai Benjamin.
"Os Jogos Olímpicos são a maior competição para nós, mas tentamos levar na maior leveza possível para não deixar o nervosismo ficar à flor da pele e atrapalhar um grande resultado. Tenho que manter a calma, porque treinamos muito, nos preparamos para isso", disse o brasileiro após a semifinal.
O tempo marcado por ele neste domingo (1º), de 47s31, representou o recorde sul-americano.
A dança, a música e a descontração do corredor fizeram com que o locutor do Estádio Olímpico de Tóquio citasse a alegria do corredor antes de um momento tão decisivo. Para Alison, isso faz parte de uma estratégia de não criar expectativa desmedida e nem ficar nervoso.
"Nesse momento dos Jogos, tento me manter o mais tranquilo possível e descansar o máximo. Fico conversando muito no zap [WhatsApp] com os meus amigos para descontrair e não ficar tão focado na prova", completou ele, que disputou a liderança com Abderrahman Samba até o último obstáculo, quando o qatari tropeçou e perdeu velocidade.
Com Alison dos Santos, o Brasil tem chance de conquistar a primeira medalha na prova de velocidade e individual no atletismo desde 1988. Naquele ano, em Seul, Robson Caetano foi bronze nos 200 m.
Depois disso, o país subiu ao pódio em provas de salto (Maurren Maggi em 2008 e Thiago Braz em 2016), no revezamento (4x100 m em 1996 e 2000) e na maratona (Vanderlei Cordeiro de Lima, em 2004).
Mas desde antes do embarque para Tóquio, Alison reforçou em todas as entrevistas o equilíbrio da prova. Não deseja criar um peso desnecessário sobre si mesmo.
"O Brasil pode esperar que essa será uma das provas mais fortes e mais bonitas, não porque eu estou nela, mas porque a prova está muito forte. Vocês puderam ver hoje que o nível técnico está realmente altíssimo", explicou.
Primeiro brasileiro a correr os 400 m com barreira abaixo dos 48 segundos, Alison foi elogiado antes dos Jogos por Rai Benjamin, o que, para o brasileiro, mostra a condição que tem de, sem pressão, subir ao pódio que seria histórico. Para ele e para o atletismo nacional.
O velocista pode seguir os passos de Rayssa Leal não apenas na escolha musical. A skatista foi prata em Tóquio.
"Ela está fazendo escola. Estou seguindo os passos dela, que é um ídolo para a gente", disse o corredor, em entrevista ao SporTV.
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