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Opinião da Gazeta

Obra pública em Colatina: atropelos e falta de gestão são gritantes

Situação da construção do Faça Fácil no município é o retrato da falta de planejamento e de transparência dos governos no que se refere ao uso do dinheiro público

Publicado em 20 de Junho de 2018 às 11:04

Públicado em 

20 jun 2018 às 11:04

Colunista

Estrutura da unidade do Faça Fácil em Colatina Crédito: Reprodução/TV Gazeta
Parada, sem prazo de entrega e sem destinação clara. A situação da obra do Faça Fácil de Colatina, na Região Noroeste do Espírito Santo, é o retrato da falta de planejamento e de transparência dos governos no que se refere ao uso do dinheiro público. A construção transformou-se em um imenso elefante branco. Desde 2014, já consumiu mais de R$ 16 milhões de investimento, sem a mínima previsão de abrir as portas.
A alegação de que a inauguração teve que ser adiada por falta de recursos, devido à crise econômica, é até válida. Estados e municípios viram suas arrecadações despencarem a partir de 2015 e tiveram que enfrentar uma série de cortes, que ainda hoje são sentidos pela população. No entanto, não é admissível que os moradores de Colatina e municípios vizinhos fiquem no escuro quanto ao emprego de verbas públicas. É dever das administrações prestar contas de seus atos. “Isso é triste, é dinheiro do contribuinte que foi usado nessa construção ”, revolta-se, com razão, o funcionário público Anderson Camilo.
A falta de transparência é ainda mais evidente quando se acompanha o choque de versões sobre a destinação do prédio. O prefeito de Colatina, Sérgio Meneguelli, afirma que o governo do Estado teria desistido do projeto de implantação do Faça Fácil e que, por isso, apresentou em 2017 uma proposta para uso do espaço como sede da prefeitura. “O Estado gostou da proposta”, relatou Meneguelli. O Estado, além de não confirmar essa informação, limitou-se a dar explicações sobre a “reprogramação do início do funcionamento da unidade”.
Os atropelos e a falta de gestão são gritantes. A obra não apenas está abandonada há dois anos como os parceiros do projeto não sabem para que ela vai servir, quando e se for concluída. E a população, que pagou por tudo, também paga o pato.

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