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Inovação

Obra de Da Vinci nos ensina a diferença entre talento e genialidade

O século XV – de Leonardo,  Colombo e Gutemberg – foi uma época como a nossa, de invenções, de explorações e da disseminação de informações com novas tecnologias

Publicado em 02 de Novembro de 2019 às 05:00

Públicado em 

02 nov 2019 às 05:00
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet Evandro Milet
"Homem Vitruviano", de Leonardo Da Vinci Crédito: Reprodução

A habilidade de conectar disciplinas - arte, ciências, humanidades e tecnologia - é a chave para a inovação, imaginação e genialidade. Walter Isaacson se especializou nas biografias de quem tinha essas características: Benjamin Franklin, Albert Einstein, Steve Jobs e mais recentemente, Leonardo da Vinci, cuja morte completa agora 500 anos. A introdução do livro de Isaacson já desenha o perfil inovador de Leonardo.

Ele trabalhou em estudos revolucionários sobre anatomia, fósseis, pássaros, coração, máquinas voadoras, ótica, botânica, geologia, dinâmica das águas e armamentos. Sua arte tinha a ciência por base. Ele arrancou a pele de cadáveres e desenhou os músculos que movem os lábios para pintar o sorriso mais inesquecível, a Mona Lisa. Estudando luz e ótica aperfeiçoou o uso do sombreamento e da perspectiva para modelar objetos que parecessem tridimensionais. Essa se tornaria a maior inovação da arte renascentista.

Steve Jobs dizia que a habilidade em combinar arte e engenharia transformou Leonardo em um gênio. Sua fértil imaginação flertava com a fantasia, o que deveríamos preservar em nós mesmos e incentivar em nossos filhos. Talento sem imaginação é estéril. Unir curiosidade, observação e imaginação fez dele o maior inventor e uma das raras pessoas a procurar saber tudo que era possível saber sobre tudo que havia para saber.

“Talento é acertar um alvo que ninguém acerta. Genialidade é acertar um alvo que ninguém vê”, afirmou o filósofo Schopenhauer.

O século XV – de Leonardo, Colombo e Gutemberg – foi uma época como a nossa, de invenções, de explorações e da disseminação de informações com novas tecnologias. Leonardo se sentia confortável em ser um tanto desajustado: filho ilegítimo, gay, vegetariano, canhoto, muito disperso e, às vezes, herético. Florença prosperou no século XV porque não se incomodava com essas categorias.

E conclui Isaacson: a curiosidade e o experimentalismo incessante de Leonardo deveriam nos lembrar da importância de incutir em nós mesmos e em nossos filhos a ideia de assimilar o conhecimento, mas também a questioná-lo - ser criativo e, como muitos desajustados talentosos e rebeldes de todas as épocas, pensar diferente.

Evandro Milet

Evandro Milet Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

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