Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • O vazio de Estado e a intervenção federal
Segurança Pública

O vazio de Estado e a intervenção federal

Muito da atual situação se deve a um vazio absoluto de Estado e em vista do terror que impõe o "Estado Paralelo"

Publicado em 01 de Março de 2018 às 16:55

Públicado em 

01 mar 2018 às 16:55

Colunista

É realmente desencantador o que estamos vivendo atualmente em terras brasileiras, a ponto de discutirmos uma intervenção federal (militar) no Rio e medidas até então impensáveis pelas lentes de um Estado que se diz Social e Democrático de Direito (uma linda promessa escrita na Constituição Federal).
Não se desconsidera que em muitas localidades do Rio e em outros tantos cantos do país a criminalidade domina. E muito dessa situação, é preciso denunciar e lembrar sempre, se deve a um vazio absoluto de Estado, que relega os cidadãos a uma “vida nua”, sem dignidade, impotentes, pelo abandono do “Estado Providência” e pelo medo, em vista do terror que impõe o “Estado Paralelo”, que toma suas casas e suas vidas quando quer.
Não se pretende aqui entrar na discussão teórica sobre as referidas medidas (intervenção federal, mandado de busca e apreensão coletivo etc.). Não que não seja válido e necessário (logicamente, sem vaidades acadêmicas ou disputas partidárias e ideológicas). Mas, focar apenas nisso acaba obscurecendo a principal reflexão, que é o vazio de Estado para milhares de brasileiros do andar de baixo, por total falta de políticas públicas.
Esse povo, é preciso reconhecer, além de nunca ter visto o Estado Providência (social), também nunca viveu verdadeiramente em um Estado de Direito. Para eles, sempre houve e continua existir apenas o Estado Policial. Só Saramago explica a cegueira dos que não enxergam isso.
Por isso, a leitura de pensadores contemporâneos, como Agamben, nunca foi tão atual e oportuna para terras brasileiras, pois, na verdade, essa considerável parcela da população brasileira vive há tempos em um Estado de Exceção, que acaba se tornando permanente. Eles, podemos concluir, são o homo sacer descritos por Agamben, ou seja, “aquele humano no limite do animal, aquele humano cuja morte não tem epitáfio e cuja existência é completamente descartável”.
Descartáveis pelos cegos governantes e políticos populistas, que só se lembram deles nas eleições; descartáveis pelo “Estado Paralelo”, a criminalidade, que os domina pelo medo e terror; descartáveis para certa parcela da sociedade hipócrita, individualista e insensível, que não os vê como iguais e até mesmo como pessoas; descartáveis por um mercado cruel e desumano, já que não são considerados consumidores.
Por isso, chegamos aonde chegamos. E tem ainda quem cante (tal como Pollyanna) um trecho da seguinte canção: “Isto aqui, ô ô/ É um pouquinho de Brasil iá iá/ Deste Brasil que canta e é feliz/ Feliz, feliz...”.
*O autor é promotor de Justiça-ES e professor da FDV
 

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Duas pessoas são presas com carro que havia sido roubado no Sul do ES
Imagem BBC Brasil
As mudanças climáticas vão nos encolher?
Laura garantiu a classificação do Prospê para a segunda fase do Brasileirão Feminino Série A3 com gol olímpico
Prosperidade vence Atlético-BA e garante vaga com gol olímpico

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados