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Gabriel Tebaldi

O que você faz pelo Brasil que você quer?

Urge que, ao invés de pensar no "Brasil que eu quero", nosso povo reflita sobre "o Brasil que eu faço"

Publicado em 21 de Setembro de 2018 às 15:36

Públicado em 

21 set 2018 às 15:36

Colunista

Nós, brasileiros, sabemos quais são os comportamentos éticos e morais corretos, mas vivemos à sombra da corrupção. Caso fôssemos o resultado dos padrões morais que aprovamos, pareceríamos com a Escandinávia, sentenciou Plínio Fraga, em 2009.

Vivemos um profundo distanciamento entre “reconhecer” o certo e fazê-lo. Ao dizer “o Brasil que eu quero”, nossa gente demonstra nobres princípios morais e éticos. Então, por que ainda não nos tornamos o país que dizemos querer?

Não titubeemos: a corrupção é um traço de nossa cultura. Herança portuguesa? Africana? Indígena? Seja qual for a causa, o fato é que fomos incompetentes em erradicá-la. Ela faz parte de nossa História. Em 1º de maio de 1500, ao encerrar sua carta a D. Manuel I, Pero Vaz de Caminha pediu que, em troca de sua expedição e de sua minuciosa descrição, o rei extinguisse a pena de seu genro, condenado e exilado pelo Império Português.

Não titubeemos: a corrupção é um traço de nossa cultura. Seja qual for a causa, o fato é que fomos incompetentes em erradicá-la. Ela faz parte de nossa História

Segundo o Datafolha, 93% da população com ensino superior assume ter cometido infrações em benefício próprio, em algum momento da vida; 97% dos que ganham mais de dez salários mínimos também; entre os que têm o ensino fundamental, 74% assumem irregularidades; já entre os mais pobres, 76% fazem o mesmo. Os que mais estudam são os mais lenientes...

Segundo a Fundação Dom Cabral, o Brasil é o último colocado (entre 138 países) no quesito “confiança na classe política”. Curiosamente, porém, quando nos vemos diante de um abismo político, exigimos que o próprio Estado resolva nossos problemas! Assim, terceirizamos responsabilidades e caímos na contradição analisada por Bruno Garschagen: não confiamos nos políticos, mas amamos o Estado!

Urge que, ao invés de pensar no “Brasil que eu quero”, nosso povo reflita sobre “o Brasil que eu faço”. Urge resgatar as responsabilidades individuais. Urge diminuir o Estado (e não projetar nele as soluções dos problemas que ele próprio cria)! A mudança de uma nação, antes de ser coletiva, é individual.

Sigamos, pois, as palavras de John Kennedy, em 1961: “Não perguntem o que seu país pode fazer por vocês, mas o que vocês podem fazer pelo seu país”.

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