Nós, brasileiros, sabemos quais são os comportamentos éticos e morais corretos, mas vivemos à sombra da corrupção. Caso fôssemos o resultado dos padrões morais que aprovamos, pareceríamos com a Escandinávia, sentenciou Plínio Fraga, em 2009.
Vivemos um profundo distanciamento entre “reconhecer” o certo e fazê-lo. Ao dizer “o Brasil que eu quero”, nossa gente demonstra nobres princípios morais e éticos. Então, por que ainda não nos tornamos o país que dizemos querer?
Não titubeemos: a corrupção é um traço de nossa cultura. Herança portuguesa? Africana? Indígena? Seja qual for a causa, o fato é que fomos incompetentes em erradicá-la. Ela faz parte de nossa História. Em 1º de maio de 1500, ao encerrar sua carta a D. Manuel I, Pero Vaz de Caminha pediu que, em troca de sua expedição e de sua minuciosa descrição, o rei extinguisse a pena de seu genro, condenado e exilado pelo Império Português.
Não titubeemos: a corrupção é um traço de nossa cultura. Seja qual for a causa, o fato é que fomos incompetentes em erradicá-la. Ela faz parte de nossa História
Segundo o Datafolha, 93% da população com ensino superior assume ter cometido infrações em benefício próprio, em algum momento da vida; 97% dos que ganham mais de dez salários mínimos também; entre os que têm o ensino fundamental, 74% assumem irregularidades; já entre os mais pobres, 76% fazem o mesmo. Os que mais estudam são os mais lenientes...
Segundo a Fundação Dom Cabral, o Brasil é o último colocado (entre 138 países) no quesito “confiança na classe política”. Curiosamente, porém, quando nos vemos diante de um abismo político, exigimos que o próprio Estado resolva nossos problemas! Assim, terceirizamos responsabilidades e caímos na contradição analisada por Bruno Garschagen: não confiamos nos políticos, mas amamos o Estado!
Urge que, ao invés de pensar no “Brasil que eu quero”, nosso povo reflita sobre “o Brasil que eu faço”. Urge resgatar as responsabilidades individuais. Urge diminuir o Estado (e não projetar nele as soluções dos problemas que ele próprio cria)! A mudança de uma nação, antes de ser coletiva, é individual.
Sigamos, pois, as palavras de John Kennedy, em 1961: “Não perguntem o que seu país pode fazer por vocês, mas o que vocês podem fazer pelo seu país”.