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Opinião da Gazeta

O que o discurso da Oprah tem a ver com você?

Mulher negra mais influente do mundo exaltou no Globo de Ouro a defesa da verdade e o fim do silêncio de vítimas de abusos sexuais e de racismo

Publicado em 08 de Janeiro de 2018 às 17:04

Públicado em 

08 jan 2018 às 17:04

Colunista

Apresentadora Oprah Winfrey durante a 75°edição do Globo de Ouro Crédito: PAUL DRINKWATER/NBC/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O discurso enfático de Oprah Winfrey na defesa da igualdade e da representatividade no Globo de Ouro fez muito barulho e está mais perto da realidade capixaba do que se supõe. A apresentadora, atriz e megaempresária norte-americana é a mulher negra mais influente do mundo. A advertência dela foi direta: não há mais espaço para o silêncio de vítimas de abusos sexuais ou de racismo. Um recado com força suficiente para ecoar por todo o planeta e chegar também ao Estado que coleciona alguns dos maiores índices de feminicídio e morte de negros do país.

Não enxergar a vulnerabilidade da população negra por aqui é uma forma de omissão. No Espírito Santo, negros entre 15 e 29 anos têm 5,5 vezes mais chances de morrerem vítimas da violência do que jovens brancos. A taxa supera a média brasileira, em que jovens negros têm 2,7 vezes mais probabilidades de serem mortos. A cor da pele e a desigualdade social estão intimamente ligadas, e oportunidades e autoestima podem fazer a diferença. É disso que Oprah falava ao citar o Oscar recebido pelo ator Sidney Poitier, em 1964: “Nunca havia visto um homem negro ser celebrado dessa maneira”.

Com as mulheres não é diferente no Estado: no ano passado, foram cerca de 4.150 casos de agressões na Região Metropolitana, o que coloca uma mulher sendo agredida a cada duas horas. O número de feminicídios confirmados no Estado entre janeiro e novembro chegou a 37 em 2017. Casos de assédio e estupro também são uma rotina assustadora.

Oprah, uma das personalidades mais populares e bem-sucedidas dos EUA, fez a defesa da verdade, numa noite em que o ativismo feminino atravessou o tapete vermelho. “Por muito tempo, não ouviam as mulheres, ou não acreditavam nelas quando ousavam falar a verdade sob o poder desses homens. Mas esse tempo acabou. Esse tempo acabou. Esse tempo acabou”, professou Oprah. No mundo de sonhos de Hollywood, a opressão feminina tem sido a realidade. A justiça, contudo, começa a ser feita. Que as vozes até hoje silenciadas mais perto da gente também tenham essa chance.

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