Semana passada, a deputada Tabata Claudia Amaral de Pontes foi “violentada” por alguns dos seus seguidores barulhentos porque realizou uma postagem nas suas redes sociais enaltecendo a figura da Irmã Dulce dos Pobres pelo reconhecimento, por parte da Igreja Católica, como santa - agora é a Santa Dulce dos Pobres. E destacou: “A Irmã Dulce começou o que é hoje um dos maiores complexos de saúde 100% SUS do país. Considero que ela teve um espírito empreendedor, mão na massa, o que aumenta minha admiração pelo trabalho caridoso que ela desenvolveu com tanto amor e dedicação. Pra mim, só mostra o quão incrível e visionária ela era em sua bondade.”
Uma dos seus seguidores chegou a comentar: “Empreendedorismo? Miséria não é sinônimo de negócio”. Outro ainda dizia: “Empreendedorismo?! Era amor, não era negócio!!! Você demonstra suas vísceras nas entrelinhas...”
Surgiram falácias e ataques de todos os tipos. Por que? Mas o que é empreender? Se fuçarmos o dicionário vamos encontrar lá: “Empreender significa decidir realizar (tarefa difícil e trabalhosa); tentar”. Ora, o que fez a Irmã Dulce?
Empreender é um dom que nem todos têm. Nem todos têm o dom e o espírito de decidir por realizar alguma coisa, sempre esperam por decisões de outrem. Dulce assimilou a máxima: viver é decidir! Ela não esperou para ajudar amanhã, ela optou por empreender no hoje da história e o mais valoroso de tudo isso: ela decidiu empreender para os pobres. Ela optou decidir por aqueles que não tinham o mínimo de condições humanas de decidirem por alguma coisa, afinal, a precariedade imperava.
Há extremistas que cunham um pensamento político-social que empreender é uma opção para ascender na sociedade, pertencer a uma outra categoria de pessoas e sociedade, ser “empresário” (elite), mas, para Irmã Dulce, um objetivo jazia no seu interior, ascender e promover os pobres.
Ela foi sim uma empreendedora movida pelo amor que sempre vai exigir de nós uma decisão radical e transformadora. Quem faz a opção pelo amor, terá como consequência, decidir. O amor é o que nos move a transformar um galinheiro num hospital de 1.000 leitos. É o amor que, ao nos impulsionar a transformar algo, vidas, pessoas, lugares, também nos transforma. Empreender não é uma mácula, é uma dádiva.
A mensagem de Tabata é real e tão real que não cabe ser excluída por gritos de alguns. Se qualquer igreja ou instituição não empreender, não avança e não promove, sobretudo, o pobre. Por que esculhambar tanto um empreendedor? A mentalidade é fruto de uma cultura segmentadora que denigre o empresário e exalta o trabalhador, ou exalta o empresário e denigre o trabalhador. Para onde vamos? Precisa de paradoxo?
É tempo de superar esse pensamento, olhar para o exemplo de Irmã Dulce e extrair as forças necessárias para tocar a vida. A propósito, certa vez, Irmã Dulce pediu dinheiro a um comerciante que cuspiu em uma de suas mãos, se negando a fazer doações. Ela estendeu a outra mão dizendo que o cuspe era para ela e que, na outra mão, ele poderia colocar a oferta para seus pobres.
Por expressar um pensamento tangível e de fato, Tabata foi cusparada por alguns, mas na sua essência democrática, ela teve a coragem de “dizer”: o cuspe foi para mim, vou guardar, mas a outra mão eu estendo aos brasileiros oferecendo minha jovialidade para fazer o Brasil pensar diferente e transformar a política numa política empreendedora capaz de “fazer o novo” (empreender), para promover os necessitados de leitos de hospital e carteiras escolares.