A desinformação tem se espalhado como um vírus, mas pode fazer ainda mais mal quando é a saúde da população que está colocada em jogo. Não se sabe até que ponto há de fato no país uma guerra formal contra as vacinas, com grupos organizados de pais que se recusam a imunizar seus filhos. É importante não só superdimensionar essa influência, mas também não fechar os olhos para a rede de boatos que alimenta determinadas crendices – muitas até mesmo apresentadas como “ciência” – que perigosamente se enraízam no imaginário popular. Vale lembrar que há vidas em jogo.
Em defesa das vacinas, a própria história humana está aí para comprovar o seu impacto revolucionário na saúde pública. O que dizer da varíola, doença que, se já provocou epidemias capazes de reduzir populações do planeta ao longo dos séculos, há quase 40 anos é considerada globalmente extinta? Uma vitória contra um vírus que dizimou 300 milhões entre 1896 e 1979.
Por conta do perigo a que a população está exposta com uma baixa cobertura vacinal, é tão importante que profissionais da saúde venham a público para esclarecer o que é fato e o que é mito. Em entrevista a este jornal publicada na terça-feira, a médica Eliane Santos, da Bio-Manguinhos/Fiocruz, ressaltou a importância da manutenção da imunidade coletiva com a vacinação. É o caso dos registros recentes de sarampo: se a comunidade não for imunizada nos níveis esperados, a disseminação é certa.
Não há motivos para “revoltas da vacina” em pleno século 21, com o nível de informação disponível hoje. É mais do que nunca preciso se apegar às comprovações científicas que tanto têm contribuído para o estabelecimento de uma sociedade mais saudável. É essa informação que deve viralizar.