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Violência contra a mulher

O paradigma machista e o vexame cultural

A violência contra a mulher muitas vezes se inicia com a violência psicológica e, por vezes, se converte em tragédia ainda maior: o feminicídio

Publicado em 06 de Junho de 2018 às 13:34

Públicado em 

06 jun 2018 às 13:34

Colunista

Violência contra a mulher

Nylton Rodrigues Ribeiro Filho*

Quando refletimos sobre o desenvolvimento humano, chegamos facilmente à conclusão de que não deveria existir distinção de poder nas relações de gênero na evolução humana. Podemos exemplificar com o desenvolvimento humano no âmbito do trabalho. Hoje, na Administração, já não basta planejar, agir e controlar. A Administração moderna exige algo absolutamente essencial. Algo que na história da humanidade as mulheres aperfeiçoaram com maior competência.

A nova forma de administrar apresenta a demanda pelo sentir. Sentir o que é razoável, o que é oportuno e o que é ético. A mulher possui a dádiva do sentir. A evolução humana necessita dessa dádiva. Essa é uma das muitas razões do machismo ser inaceitável, e quando esse comportamento se converte em violência, colhemos a desonra e o vexame cultural.

O machismo faz com que, muitas vezes, a violência sequer seja reconhecida por quem a pratica e até por quem a sofre

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2016, no Brasil, 503 mulheres foram vítimas de agressão a cada hora, uma mulher foi assassinada a cada duas horas e um estupro aconteceu a cada 12 minutos. A violência contra a mulher muitas vezes se inicia com a violência psicológica e, por vezes, se converte em tragédia ainda maior: o feminicídio. Essas violências se fazem presentes em vários ambientes: no ônibus, na rua, em casa, no ambiente virtual e são marcadas por algo em comum: o machismo.

O machismo faz com que, muitas vezes, a violência sequer seja reconhecida por quem a pratica e até por quem a sofre. O machismo converte agressões dentro de um relacionamento em um mero desentendimento, e até mesmo em sentimento de culpa da própria vítima. Essa absurda culpabilização faz com que o silêncio e a vergonha imperem no cotidiano de muitas mulheres.

O ciclo da violência doméstica tem que ser quebrado. Uma agressão não deve mais ser ocultada pela vergonha, pela dependência emocional ou financeira. A Lei Maria da Penha pode ser melhor aplicada, com plantões 24 horas nas Delegacias Especializadas em Proteção à Mulher e com visitas tranquilizadoras e rotineiras da Patrulha Maria da Penha.

Policiais e profissionais de saúde também devem estar capacitados para o atendimento às vítimas de violência doméstica e, por fim, temos a tarefa mais desafiadora: exterminar o machismo simbólico de nossa cultura. O machismo simbólico é a expressão maior da covardia, porque atinge o que a mulher tem de melhor, a sua sensibilidade.

Está claro que não é a violência que cria a cultura, mas é a cultura que define a compreensão do que é a violência, e essa compreensão depende do nível que postulamos enquanto sociedade humana. É a cultura que humaniza uma sociedade. É lamentável que, em pleno século XXI, tenhamos que conviver com o desrespeito em consequência do gênero. Precisamos continuar lutando pela dignidade humana.

Nota da Redação: esse artigo foi produzido antes da denúncia de agressão de Taiana França contra o marido Adriano Scopel.

*O autor é secretário estadual da Segurança

 

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