Universidades, governos e organizações de negócios têm dedicado esforços para decifrar as características do gestor de negócios do futuro. Um desafio que não pode ser solucionado à luz das formações tradicionais, fechadas em departamentos.
De um lado, um conjunto de transformações econômicas, tecnológicas e comportamentais está provocando mudanças e descontinuidades em todos os mercados.
De outro, a velocidade das mudanças exige conexões e movimentações de dados em escala, criando, por si, um novo campo científico, uma ciência de dados.
Até os anos 1990, predominava a ideia que a formação de especialistas daria conta dos desafios propostos para os novos gestores. A dificuldade em interpretar as demandas do mercado e fazer as entregas mostraram as limitações dessa verticalização.
Na década seguinte, a busca por gestores generalistas com visão ampla do processo social esbarrou em problemas objetivos, limitações e pontos de estrangulamento nas formações horizontalizadas.
É chegado o momento de definir as bases técnicas para formação do “novo gestor”. Em três planos:
No primeiro plano, o conhecimento de exatas, matemática pura, estatística e lógica é essencial para desenvolver a capacidade de abstração exigida por problemas complexos que ainda não haviam sido apresentados.
Já no segundo, o plano da tecnologia, o “novo gestor” precisa ter domínio de linguagens de programação, uso de ferramentas computacionais e capacidade de fazer tratamento de dados.
E, por fim, as competências em negócios exigem uma visão ampla das ciências sociais com profundidade em marketing e gestão de pessoas para fazer girar o fluxo de inovações, das relações com os consumidores aos laboratórios de Pesquisa & Desenvolvimento.
Num mundo de intensas transformações, o gestor do futuro, que domina exatas, tecnologias e negócios, é como um unicórnio. Não existe em completude, mas parece ser o ideal estilizado, a ser buscado, formado.
*O autor é professor da UVV Business School e CEAD