O governo federal bobeou e comeu umas letras na campanha da reforma da Previdência no Twitter. Deveria ser "Pro Brasil não quebrar". Mas saiu "o Brasil não quer".
Passados oito anos desde o traumático 2010, quando uma reviravolta levada a cabo pelas mãos de Paulo Hartung marcou a história política recente do Estado, a classe política parece não ter se organizado e se vê, mais uma vez, à espera das definições do governador. Este ano, novamente, duas vagas ao Senado estarão em disputa. Até agora, a oito meses das eleições, sobram vontades e faltam certezas.
O leque de cartas que Hartung leva na manga é o mais eficiente para deixar uma grande interrogação no mercado. Mesmo se abrir mão do governo em abril, nada o impedirá de ser candidato ao mesmo governo. Mas também poderá ser candidato a vice-presidente, a senador ou a cargo algum. Opções não faltam.
Enquanto isso – e também em função disso –, a corrida eleitoral ao Senado segue por vias paralelas, com vários balões de ensaio e num ambiente de “tudo é possível e nada é descartado”. Mas, entre os que se dizem abertos a tudo, a pluralidade de ideias no radar é uma questão de sobrevivência política, e não conforto.
Hoje, os dois ocupantes das cadeiras em disputa, Magno Malta e Ricardo Ferraço, são candidatos automáticos à reeleição. Personagem central do abril sangrento de oito anos atrás, portanto o que mais teve com o que aprender, Ferraço entrou o novo ano eleitoral fora do mandato. Dedica-se a percorrer o Estado para tentar reconquistar as bases.
É pouco provável, hoje, que Hartung abra caminho para Ferraço chegar ao governo. Ademais, a ideia de inovar “descendo” para a Câmara dos Deputados poderia colidir com os planos do pai, Theodorico Ferraço. Ou seja, as coisas poderiam estar melhores para o senador tucano.
Ferraço também mantém conversas com o grupo de Renato Casagrande sobre tentar a reeleição na chapa do socialista. Amaro Neto faz o mesmo. Só que ambos são mais próximos de Hartung e não devem embarcar com Casagrande antes de o governador revelar os planos que tem para o grupo – e para ele mesmo. Se optar pela reeleição, o governador pode colocar uma mão nas costas de cada um.
Então, qual será o candidato ao Senado do grupo de Casagrande? Não existe ainda. Um socialista próximo do ex-governador admite que o fator PH atrapalha as definições, mas minimiza a carência alegando que o calendário só passa a ser levado a sério depois da quarta-feira de cinzas. Além do mais, o PSB afirma que só trabalha com o cenário no qual Casagrande tenta retomar o Palácio Anchieta. Assim, o espaço do Senado seria discutido com partidos que entrassem no projeto.
Uma outra opção é considerada, principalmente por políticos ligados a Hartung. A de Casagrande trocar a disputa ao governo por outra “menos difícil”. Seria para não correr o risco de ficar mais quatro anos na planície. Mas, de novo, o cálculo dependeria de como ou em quem o governador baterá o martelo.
Na disputa de 2014, Rose de Freitas foi eleita com folga numa disputa contra um candidato que era o mais rejeitado e contra outro que caiu de paraquedas na eleição. Desta vez, haverá o reencontro nas urnas de dois grupos antagônicos. Analistas apostam que, ao menos, a disputa será mais emocionante. A consagração (ou a eliminação) de projetos está em jogo.
VAI TENTAR DE NOVO?
A Rede quer ter candidato ao Senado. Já tem dois nomes em vista, mas sonha mesmo é com um terceiro: o do delegado Fabiano Contarato.
NÃO QUER SER OMISSO
Quatro anos após abrir mão de disputar o Senado depois de registrar a candidatura, é possível que desta vez tudo dê certo. “Acho que as pessoas de bem têm que parar de ficar só em casa reclamando. Devem sair de casa e fazer a diferença”, afirma. Contarato, contudo, diz não fazer questão de concorrer. Confirma que tem sido convidado para partidos, mas todas as conversas são embrionárias.
MAIS QUATRO ANOS
Deputados saíram convencidos da longa reunião de ontem com Hartung de que ele será candidato à reeleição.
DE SAÍDA
O deputado Sergio Majeski diz que a chance de ele continuar no PSDB é nenhuma. Falta só bater o martelo sobre para onde vai.
UM DIA ACABA
Ex-assessor da Casa Civil e operador político, Marcus Alves prestou depoimento na Assembleia, na sindicância aberta por conta das acusações de rachid e ameaça a servidor da Casa. O caso veio a público em agosto de 2017, mas uma prorrogação do processo deve ser publicada em breve. O inquérito da Polícia Civil está com o Ministério Público.
TRANSPARÊNCIA FLUIDA
Em Porto Alegre, a prefeitura mostra a relação de devedores de IPTU, ITBI e ISSQN. Para a Prefeitura de Vitória, essa informação é sigilosa. Em São Paulo, a população conhece a relação de proprietários de imóveis na cidade. Em Vitória, a informação também é sigilosa.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.