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Fernando Manhães

O embate entre virtual e real e as implicações na liberdade e consumo

No plano digital, há diversificação da liberdade e, por outro, riscos relacionados a como os públicos consomem e interagem

Publicado em 23 de Novembro de 2018 às 21:39

Públicado em 

23 nov 2018 às 21:39

Colunista

Celular logando no Twitter Crédito: Pixabay

Caríssimo leitor, você utiliza o seu celular o tempo todo ou pelo menos a maior parte do tempo em que está acordado? E com o passar dos meses, está usando cada vez mais? Arrisco-me a dizer que sua resposta é sim. E não poderia ser diferente, também me incluo nesse grupo. Assim, começamos o dia verificando a caixa de e-mails, checando as redes sociais, buscando informação nos portais de notícias e vamos tocando o dia.

O autor Denis McQuail, em seu livro “Teoria da Comunicação de Massas”, aponta para os novos desafios com a multiplicação dos meios de comunicação e a “lógica da internet como ambiente de interação ampla, em que coexistem diferentes formas de comunicação e tipos de meios, dentro de uma lógica de combinação”.

O tema demonstra que no plano digital existe o lado da diversificação da liberdade e, por outro lado, os riscos com o uso e a forma como os diversos públicos consomem e interagem entre si. Segundo ele, a sociedade está se aproveitando daquilo que a tecnologia tem proporcionado, tanto o bônus, quanto o ônus, e muitas vezes acabam por confundir esse consumo dos meios, no campo virtual e real.

Somos impactados o tempo todo e reagimos consumindo os meios, muitas vezes sem a devida crítica. Simplesmente consumimos. É preciso ter sempre em mente que os nossos atos na vida cotidiana são de natureza real e que o espaço cibernético é de característica virtual. No fundo, são ferramentas facilitadoras ou mesmo chaves que aceleram e desencadeiam nossos desejos, sonhos, hábitos e comportamentos.

É importante frisar que a entrega será sempre física, pelo menos por enquanto. Caso esteja com fome, peço num aplicativo uma comida e a entrega será física, assim como o ato de comer. Se desejo viajar, entro num site de e-commerce e compro uma passagem, só que o tempo que levarei viajando é físico. São exemplos rotineiros, de uma obviedade, que seguem um roteiro da vida com cada novo avanço tecnológico e a diversificação que tudo isso nos proporciona. De qualquer forma, caberá às ciências sociais estudar os impactos das questões da tecnologia, com forte indicação oriunda dos campos econômico, político e sócio-cultural. Enquanto isso, seguiremos consumindo o virtual e realizando o real.

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