Felipe Rigoni*
Jair Bolsonaro foi eleito o 38º presidente do Brasil. Para muitos, a esperança de dias melhores e de um Brasil sem corrupção ou impunidade. Para outra parcela também significativa da população, sua vitória é o fim da democracia e dos direitos sociais conquistados no período democrático. Quando começou o segundo turno, fui muito cobrado a me posicionar sobre quem eu apoiava. Não declarei meu voto, em nome da primordial função que o Congresso terá a partir de agora: unir o Brasil em torno de um projeto nacional de desenvolvimento. Declarando voto em um ou outro, perderia essa capacidade.
Como declarar o voto em um partido que, apesar de inegáveis contribuições para o país, nas inúmeras vezes que pôde escolher entre o país e o partido escolheu o partido? Entre a Constituição e o partido, entre o Plano Real e o partido e entre a saudável alternância de poder e o partido, o PT sempre escolheu o partido.
Como também declarar o voto num parlamentar que ocupa o Congresso há sete mandatos e nunca fez nada além de defender pautas corporativistas e fazer discursos inflamados? Que com sua influência elegeu seus três filhos. E que agora se diz liberal, mas sempre defendeu o intervencionismo?
Para todos digo uma frase muito simples: na prática, a teoria é outra! Isso significa que infelizmente o Brasil não se tornará um país sem corrupção e impunidade, não terá uma economia forte e livre porque Bolsonaro se elegeu. E também não será o fim de nossa democracia e início de uma ditadura que acabará com tudo que conquistamos nos últimos anos. Somos uma democracia muito enfraquecida. Enfraquecida pelo populismo autoritário, seja ele bolsonariano ou petista. Que enfraquece as instituições e dá esperanças irreais ao nosso povo inseguro, indignado e faminto de mudança.
Aqueles que defendem a democracia diversa, plural e livre como eu hoje não estão pulando de alegria ou desesperados de tristeza. Estão, sim, vislumbrando o enorme desafio de manter nossa democracia nos próximos anos. Pois demos a um grupo com traços populistas e autoritários a Presidência da República, e a outro grupo também populista e autoritário a hegemonia da oposição.
Não sou um pessimista de plantão! Mas alerto primeiro nós, os novos políticos eleitos, e mais importante os cidadãos da necessidade de estarmos atentos e participativos. Engajados com a política, avaliando as evidências científicas, sempre presando pela participação popular... Eis a nossa missão!
*É deputado federal eleito, líder Renova BR e representante cívico do movimento Acredito