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Artigo

O desafio da inovação na nova era

A nova era obriga empresas a pararem de criar produtos para os clientes, para criar com os clientes, abraçando o risco

Publicado em 21 de Dezembro de 2018 às 19:39

Públicado em 

21 dez 2018 às 19:39

Colunista

A Arte da Inovação

Cintia Dias*

Três centavos de dólar. Esse é o valor de um teste que detecta três tipos de câncer, inclusive um dos mais letais, o de pâncreas. Um valor 26 mil vezes menor, com uma sensibilidade 400 vezes maior que o teste mais tradicional do mercado. O que essa descoberta tem de tão incomum? Foi feita por um adolescente americano de 15 anos, sensibilizado pela morte do tio, vitimado pela doença.

Jack Andraka, 15 anos, enviou sua descoberta por e-mail para 200 pessoas. Cento e noventa e sete disseram “não”. Duas nunca responderam. Mas um chegou ao médico Anirban Maitra, da Universidade Johns Hopkins, e pode revolucionar o tratamento da doença, pois permite o diagnóstico do mal antes que ele se torne invasivo, aumentando as chances de cura.

A inovação pode vir de qualquer lugar. O concorrente de um grande laboratório médico pode ser um adolescente cursando o ensino médio em algum lugar do mundo. A sobrevivência passa por reconhecer as mudanças em curso e agir para ser seu próprio agente disruptor. Como fazer isso em um cenário em que o Brasil teve o pior desempenho entre os escritórios de patentes no mundo, uma vez que o brasileiro leva oito anos para ter sua patente avaliada, contra 22 meses na China ou na Europa e nove meses na Rússia?

Isso passa pela mudança da ambiência institucional e empresarial. Nas empresas, envolve mais cultura organizacional, seu conjunto de valores e crenças, e menos tecnologia, hoje acessível a qualquer interessado. Muitas empresas, para lidar com o desafio da inovação, aumentam sua competência tecnológica, esquecendo-se que cultura e pessoas são efetivamente os elementos que as levarão além. O guru Peter Drucker já anunciava o motivo disso ocorrer: “A cultura janta a estratégia no café da manhã”. Empresas refratárias ao erro, que não perceberam que fracassar cedo para acertar logo é a nova regra do jogo, terão poucas chances de sucesso.

Nessa nova era, chamada de Tesarac ou Singularidade, pela incapacidade de prever o que vem pela frente, mesmo reconhecendo que o que temos já não nos serve mais, obriga as empresas a mudarem seus mindsets, parando de criar produtos para os clientes, para criar com os clientes, abraçando o risco, adotando o erro como forma de aprender sobre clientes e mercados e apaixonando-se pelo problema, não pela solução. Henrique Szklo diz que a inovação não abre portas. Fabrica. Fabriquemos portas então.

*O autor é mestre em Administração, consultora e professora universitária

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