O Estado brasileiro é ineficiente na sua missão constitucional de prover o bem-estar da população. Isso está muito claro no desmoronar da segurança pública, na educação reprovada e em situações desumanas na saúde. É inadmissível, por exemplo, um cidadão esperar três anos por uma simples consulta médica, como denunciou a reportagem de A GAZETA.
É esse o modelo de gestão pública que a população deseja? Não é. Ao contrário, insatisfação e revolta saltam nas pesquisas de opinião. O momento é bom para debater aspirações coletivas. Estamos a 10 meses da escolha do presidente da República e de nomes para o Congresso.
“O papel do Estado vira o novo Fla-Flu da eleição”, conforme assinala A GAZETA, na edição de domingo passado. O xadrez da disputa está embaçado, mas há uma certeza: temas cruciais precisam ser debatidos com os candidatos. Não bastam acenos. Propostas concretas devem ser avaliadas pelos eleitores.
A carga de impostos é parâmetro clássico para medir o tamanho do Estado. A do Brasil é uma das maiores do mundo: 34% do PIB, e o retorno à sociedade é ínfimo. O sistema tributário precisa ser revisto. Asfixia empresas e tira renda das famílias.
Paradoxalmente, os investimentos públicos estão aquém das necessidades do país. Aí está outra questão a ser discutida: a qualidade do gasto governamental. É muito ruim. Quase 90% das despesas do Orçamento federal são obrigatórias, impedindo cortes. É preciso choque administrativo para mudar essa estrutura. O primeiro passo é a reforma previdenciária.
Fantasias ideológicas estigmatizam a privatização. No entanto, é preciso saber se os eleitores estão dispostos a continuar bancando empresas estatais. Em 2016, as da União custaram R$ 19,1 bilhões, ou seja, R$ 92 para cada um dos 207 milhões de brasileiros. É acintoso.